Rui Caeiro

Rui Caeiro nasceu em Vila Viçosa no dia 27 de Junho de 1943.[Concluiu a licenciatura em direito pela Universidade de Lisboa. Exerceu advocacia mas cedo enveredou por atividades ligadas à  literatura. Destacou-se  como poeta, tradutor e editor. Foi um dos mais marcante escritores independentes em Portugal, tendo lançado as suas obras quase todas através de edições de autor. Trabalhou igualmente como editor durante cerca de dez anos, junto com o escritor Vítor Silva Tavares, na Editora & etc, que foi uma das principais iniciativas de edição independente em Portugal.

Publicou 6 livros de poesia: Deus, sobre o magno problema da existência de Deus (1988); Sobre a nossa morte bem muito obrigado (1989); Livro de Afectos (1992); Quarto Azul e outros poemas (letra livre, 2011); Deus e Outros Animais (2015); Diálogos Marados/Um Maluco Vem Pousar-me Na Mão (letra livre, 2018)

Traduziu autores como  Roberto Juarroz, Ramón Gómez de la Serna e Miguel de Unamuno e ainda Rainer Maria Rilke, Robert Desnos, Cesare Pavese, Marguerite Yourcenar, Nâzim Hikmet, Henri Michaux e André Gorz.

Rui Caeiro morreu no dia 29 de Janeiro de 2019, vítima de cancro.

Em Junho de 2019,  a editora Maldoror editou O Sangue a renger nas curvas apertadas do coração (obra reunida)

 

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foto: página oficial da Pianola Editores no Facebook

Poemas

Apanhar as palavras mesmo do chão
já pobres esvaídas maltratadas

e reuni-las no poema para que entre si
façam calor e companhia como os velhos
 
aqueles da casa de repouso de Camarate
em volta da mesa a beber a laranjada
 
aos golinhos – e a morte e a morte
 
 
 


de sobre a nossa morte bem muito obrigado, 1989
o sangue a ranger nas curvas apertadas do coração
maldoror, 2019
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