Louise Glück
Louise Elisabeth Glück nasceu em Nova Iorque, a 22 de abril de 1943 mas cresceu em Long Island. Seus avós paternos eram judeus húngaros emigrados para os Estados Unidos décadas antes do seu nascimento. Cedo começou a ler poetas como Blake, Shakespeare, Keats, Dickinson e Yeats, com quem se identificou. Teve aulas de musica, ballet e arte. A sua vida foi marcada por uma série de problemas pessoais e familiares. Aos 16 anos começou a sofrer de anorexia nervosa tendo interrompido o liceu. Mais tarde, com a ajuda da psicoterapia que manteve durante 7 anos, conseguiu ultrapassar a doença, Teve aulas na Sarah Lawrence College e na Universidade Columbia, mas não chegou a finalizar a licenciatura. Aos 19 anos foi diagnosticada com epilepsia.
Aos 23 anos a New American Library publicou a sua primeira coleção de poesia, “Primogênito”(1968), iniciado aos 18 anos e rejeitado por mais de vinte editoras. Depois disso caiu em um período de intenso bloqueio criativo que durou até aos 30 anos.
A partir de 1971, começou a ensinar poesia no Goddard College em Plainfiel e a inspiração regressou, escrevendo vários poemas que se reuniram no seu segundo livro. The House on Marshland (1975)
Em 1980 um incêndio destruiu a sua casa em Vermont, perdendo todos os seus bens.
A sua poesia aborda a fragilidade essencial dos seres humanos, inspirando-se em mitos e clássicos da literatura.
© Daniel Ebersole
Obteve vários prémios como a “Medalha Nacional de Humanidades”, o “Pulitzer”, o “Prêmio Nacional do Livro”, entre outros. Em 2020 foi galardoada com o prémio Nobel da literatura “pela sua inconfundível voz poética, que, com uma beleza austera, tornou universal a existência individual”.
Principais obras:
Poesia: Firstborn (1968); The House on Marshland (1975); Descending Figure (1980);The Triumph of Achilles (1985); Ararat (1990); TheWild Iris (1992); The First Four Books of Poems (1995); Meadowlands (1997); Vita Nova (1999); The Seven Ages (2001); A Village Life (2009); Faithful and Virtuous Night (2014); Winter Recipes from the Collective (2021)
Ensaio (sobre poesia): Proofs and Theories (1994)e American Originality (1917)
Novela: Marigold e Rose (2022)
Glück continuou a escrever e a ensinar até o final da vida, por fim foi professora de poesia na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, e no programa de redação criativa da Universidade de Stanford.
As suas obras foram traduzidas diversas línguas.
Até à atribuição do Nobel, a escritora era praticamente desconhecida em Portugal. Havia alguns poemas: "O Poder de Circe", incluído na coletânea "Rosa do Mundo", editado pela Assírio & Alvim (2001) e "Landscape", na revista Telhados de Vidro, em 2006, numa tradução de Rui Pires Cabral.
A Relógio d'Agua tem publicado, desde 2020, consecutivamente, em edições bilingues, quase a totalidade da sua obra: "A Íris Selvagem" (2020) e "Vita Nova"(2021), traduzidos por Ana Luísa Amaral, "Noite Virtuosa e Fiel" (2020) e "Ararate"(2021), traduzidos por Margarida Vale de Gato, "Uma Vida de Aldeia"(2021), traduzido por Frederico Pedreira e "Averno"(2020), "Meadowlands" (2022), "Receitas de Inverno da Comunidade" e “Marigold e Rose” (2023) ,traduzidos por Inês Dias.
Louise Glück morreu no dia 13 de outubro de 2023, aos 80 anos, em Cambridge, Massachusetts, nos EUA.
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Telemachus Dilemma
I can never decide
what to write on
my parents’ tomb. I know
what he wants: he wants
beloved, which is
certainly to the point, particularly
if we count all
the women. But
that leaves my mother
out in the cold. She tells me
this doesn’t matter to her
in the least: she prefers
to be represented by
her own achievement. It seems
tactless to remind them
that one does not
honor the dead by perpetuating
their vanities, their
projections of themselves.
My own taste dictates
accuracy without
garrulousness: they are
my parents, consequently
I see them together,
sometimes inclining to
husband and wife, other times
to opposing forces.
in Meadowlands
O dilema de Telêmaco
Nunca consigo decidir
o que escrever
nas lápides de meus pais. Sei
o que ele quer: ele quer
amado, o que por certo
vai direto ao ponto, particularmente
se contarmos todas
as mulheres. Mas
isso deixa minha mãe
a descoberto. Ela me diz
que isto não lhe importa
para nada; ela prefere
ser representada por
suas próprias conquistas. Parece
pura falta de tato lembrar aos dois
que alguém não
honra aos mortos perpetuando
suas vaidades, suas
projeções sobre si mesmos.
Meu próprio gosto dita
precisão sem
tagarelice; eles são
meus pais, consequentemente
eu os vejo juntos,
às vezes inclinado a
marido e mulher, outras a
forças opostas.
Parábola da fera
O gato anda em círculos na cozinha
com o passarinho morto,
sua nova possessão.
Alguém deveria discutir
ética com o gato enquanto ele
perscruta o débil passarinho:
nesta casa
nós não exercemos
a força deste jeito.
Diga isso ao animal,
seus dentes já
fundos na carne de outro animal.