Ángeles Mora
Àngeles Mora Fragoso nasceu em Rute, província de Córdova, no dia 31 de dezembro de 1952. É uma destacada poeta e escritora, ocupando um lugar entre as vozes espanholas mais influentes do seculo XXI.
Licenciou-se pela universidade de Granada em Filosofia e Letras e estabeleceu residência nessa cidade desde então. Foi professora de Lingua e Literatura Espanhola no Centro de Linguas Modernas.
É presidente da Asociación de Mujer y Literatura Verso libre e membro eleito da Academia de Buenas Letras de Granada.
Colaborou no jornal Granada Hoy, transmitindo a sua paixão pelas palavras a um público mais amplo. Como presidente da Asociación de Mujer y Literatura Verso Libre, trabalhou incansavelmente para destacar a voz das mulheres no âmbito literário, demostrando o seu compromisso com a equidade e a diversidade na literatura.
Publicou o seu primeiro livro de poesia «Pensando que el camino iba derecho» em1982 e tem vindo a integrar a chamada Poesia da Experiência junto com autores importantes como Luis Garcia Montero entre outros. O seu trajeto poético é uma viagem cativante através da expressão lírica e da exploração emocional. A poesia de Angeles Mora inspira-se na complexidade da vida e na experiência humana.
Em 1989 obteve o Premio Rafael Alberti de poesia pelo livro «La Guerra de los treinta años» e no ano 2000 o Premio Internacional de Poesía Ciudad de Melilla por «Contradicciones, pájaros».
Outros livros de poesia: «La canción del olvido» 1985, «La dama errante» 1990, «Silencio» e «Elegía y postales» en 1994, «Cámara subjetiva» en 1996, «Canto de sirenas» en 1997 y «Bajo la alfombra» en 2008.
Parte da sua obra integra várias antologias e foi traduzida em diversas línguas e participou em numerosos encontros internacionais de poesia.
En 2016, recebeu os prestigiados Premio Nacional de la Crítica e o Premio Nacional de Poesía de España, consolidando a sua posição como figura imprescindivel na poesía contemporánea.
Ver mais: poesia de españa;zendalibros;poetryalquimia; amediavoz;Wikipedia
|
foto: © Antonio L. Juárez |
IMÁGENES PARA UNA EXPOSICIÓN
Llegan desde los siglos,
de los oscuros barros de la selva,
desde la esclavitud,
la explotación,
el exterminio.
De las rotas miradas de las mujeres rotas,
del hambre,
de las rugosas manos,
de los rostros curtidos del desierto,
misterios de la luz y las arenas.
Llegan desde los cielos infinitos
de todos los azules y todas las estrellas,
de las entrañas minerales
de la tierra, el espanto,
la muerte lenta,
las matanzas,
la guerra,
las fronteras.
Como fantasmas
los muestra el telediario
entre maderas, bultos, ropas,
dejando en nuestros ojos
jirones de fatiga,
oleadas de sal seca.
En la sala de estar todos los días
colgamos las imágenes
de la vergüenza.
IMAGENS PARA UMA EXPOSIÇÃO
Chegam desde os séculos,
dos pântanos escuros da selva,
desde a escravidão,
a exploração,
o extermínio.
Dos olhares quebrados das mulheres batidas,
da fome,
das mãos ásperas,
dos rostos curtidos do deserto,
mistérios de luz e areia.
Chegam dos céus infinitos.
de todos os azuis e todas as estrelas,
das entranhas minerais
da terra, o terror,
a morte lenta,
os massacres,
a guerra,
as fronteiras.
Como fantasmas
o noticiário mostra-os
entre destroços, vultos, trapos,
deixando nos nossos olhos
pedaços de fadiga,
ondas de sal seco.
Na sala de estar, todos os dias.
suspendemos as imagens.
da vergonha
versão: at