Ana Martins Marques

Ana Martins Marques nasceu em Belo Horizonte (Minas Gerais) em 1977. É uma das mais conceituadas poetas brasileiras da atualidade. Licenciou-se em letras e é Doutorada em Literatura comparada, pela UFMG. É redatora e revisora na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Publicou os seguintes livros: A vida submarina (2009), Da arte das armadilhas (2011), O livro das semelhanças  (2015), Duas janelas, com Marcos Ciscar (2016), Como se fosse a casa (uma correspondência), com Eduardo Jorge (2017), O livro dos jardins (2019). Risque esta palavra (2021) e De uma a outra ilha (2023)

Em Portugal foi publicada uma antologia dos seus poemas pela pela editora Douda Correria, com o título Linha de rebentação (2019 com reedição em 2021)

Maria Esther Maciel, crítica literária, considera a autora “uma poeta admirável, com uma dicção inconfundível, que alia elegância, frescor, simplicidade e cuidado com a linguagem para capturar o que se esconde (e se revela) nas dobras da vida cotidiana. Além disso, reinventa, por vias imprevistas, o legado de poetas de diferentes gerações e nacionalidades. Cada poema que escreve é uma surpresa para quem o lê” 

Ana Martins Marques venceu diversos prêmios, como o “Prêmio Cidade de Belo Horizonte”, nos anos de 2007 e 2008, e o Prêmio “Alphonsus de Guimaraens“, em 2011. Em 2022, foi finalista do Prêmio Oceanos.

Ler mais:

recanto do poeta / ruído manifestolyrikline /ermiracultura / tudo é poema

Fotografia de Rodrigo Valente

Poemas

Sou alérgica ao desejo
como ao mofo, ao mar,
aos gatos, ao leite,
aos lugares fechados, a certas flores.
Sou alérgica ao desejo –
doem-me os olhos,
incham-me as pernas,
o sexo arde
como uma caixa de abelhas
lacrada.
O desejo acende-me
como uma casa incendiada;
o desejo me deixa
sem mais nada.

Se eu encostasse
meu ouvido
no seu peito
ouviria o tumulto
do mar
o alarido estridente
dos banhistas
cegos de sol
o baque
das ondas
quando despencam
na praia

Vem
escuta
no meu peito
o silêncio
elementar
dos metais