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Poetas do Mundo - Portugal - Natércia Freire (1919 - 2004)  
 
 Mulheres


Desciam da cruz
Como aves de negro.
As asas abertas
Batiam soturnas
Na cinza de névoa
Das sombras nocturnas
E ousavam mistérios
De deuses secretos.

Mulheres ou bonecas.
Crianças ou velhas.
No barro das telhas
A chuva caía.
Caíam as folhas
Doiradas e secas.
Mulheres ou bonecas
Desciam da cruz
Na noite vazia.

Repetem-se os gritos
Represos mil anos.
Ecoam suspiros.
Ninguém sabe o rosto
Aos deuses tiranos:
Formigas, bonecas
De vozes tão roucas
Correndo, sofrendo,
Voando, voando.

Baloiçam-se negras
De véus e de Dores.
Nas asas de aviões
Que cortam as cores
Pregadas na cruz
- Infâncias que foram
De fadas e flores.

lido aqui



 
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