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Poetas do Mundo - Portugal - Maria Azenha (1945  
 
 3 poemas

 

enigma

que a lua me dê a força desta Chave,
que minha vida seja a pupila eterna
que se abre ao mar salgado,
que meus dedos mergulhados em ar raro
abram portas de absinto,
esfinges,

secretas aves.

é meia noite.
as galáxias dormem.
as orquídeas também.

do lado esquerdo
sobe o som dum ramo coroado.

quem vem?
não sei.

perdi a chave.

de mim
restará ninguém.



 

quase névoa



inclino-me
à luz
que trago das aves

desde
o
céu que vêm comigo

a manhã inicia-me em seu voo
um antigo voo
nele mil vezes morri
mil vezes sem uma palavra na boca
sem uma estrela para iluminar o rosto
ou uma pedra para inclinar o ouvido
e sentir o sangue quente
da amada terra


apenas
o vazio quebrado em seus múltiplos espelhos
em sons quase imperceptíveis
quase alados
quase névoa

só perfume e feridas


andei toda a noite em viagem toda a noite

não encontrei senão o vestido branco
da minha sombra

 

 

 

UM

 

assim de frente
ao espelho

eu tu
ut ue

por dentro

ous
sou

na vida an adiv na morte an etrom

de frente
sem
tempo

tu ut

ue


Um

 

 

 

 

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