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Poetas do Mundo - Espanha - Amalia Bautista (1962  
 
 de "Hilos de seda"

Siempre creí que solo las palabras

salían de mi boca, y que eram ellas

las que lograban aplazar mi muerte.

Hoy sé que de mi boca sale um hilo,

transparente y tenaz como un insomnio,

que te ha atado a mi vida para siempre.

 

Sempre acreditei que da minha boca

saíam apenas palavras e que só elas

conseguiam retardar a minha morte.

Hoje sei que da minha boca sai um fio,

transparente e obstinado como a insónia,

que te atou à minha vida para sempre.

 

versão: at

 

Sempre acreditei que eram as palavras
que saíam da minha boca, e que só elas
podiam apaziguar a minha morte.
Hoje sei que da minha boca sai um fio
transparente e tenaz como uma insónia
que te amarrou à minha vida para sempre.

versão: Luis

 

 

 

 

Construyo mundos más o menos claros,

más o menos perfectos, más o menos

geométricos. Construyo siempre mundos

dignos de las peores pesadillas.

 

Construo mundos mais ou menos claros,

mais ou menos perfeitos, mais ou menos

geométricos. Construo sempre mundos

dignos dos piores pesadelos.

 

 versão: at

 

 

 

Llevo al aire las cosas que debiera

esconder, lo más íntimo  y oscuro.

No sólo podéis verme el esqueleto,

llevo al aire también el alma toda.

 

Trago à flor da pele as coisas que devia

esconder, o mais íntimo e sombrio.

Podeis ver o meu esqueleto e não só,

também trago à flor da pele a alma toda.

 

 versão: at

 

No sé si por maldad o por olvido

No fui llamada al arca. El fin del mundo

Duró cuarenta dias y cuarenta

Noches. Pero alguien hizo con sus manos

La Dulce balsa que evitó mi muerte.

 

         Não sei se por maldade ou esquecimento
         não fui chamada à arca. O fim do mundo
         durou quarenta dias e quarenta
         noites. Mas alguém fez com as suas mãos
         a doce balsa que me evitou a morte.

 

versão: Luis

 

 

 

Puente de plata para los que huyen,

puente de seda para nuestro encuentro.
Pero nadie transita por ninguno,

excepto la ansiedad y la tristeza,

cogidas de la mano y murmurando,

yendo y viniendo siempre, inagotables,

por ambos puentes y por nuestras vidas.

 

Uma ponte de prata para os que fogem,

uma ponte de seda para nosso encontro.

Mas ninguém passa por nenhuma,

excepto a ansiedade e a tristeza,

de mãos atadas e murmurando

sempre a ir e a voltar, inesgotáveis,

pelas duas pontes e pelas nossas vidas.

 

 versão: at

 

 

 

Mientras fabrico laboriosamente

esta estrella de luz en la penumbra,

sé que no puedo detenerme, sé

que debo terminar antes del alba.

Antes de que el zarpazo de la vida

nos destruya a las dos con su evidencia.

 

Enquanto fabrico laboriosamente

esta estrela de luz na penumbra,

sei que não posso distrair-me, sei

que devo terminar antes da aurora.

Antes que um golpázio da vida

nos destrua com a sua evidência.

 

versão: at 

 

 

 

Cada dia me digo, susurrando,

mantén el equilibrio. Todo acecha,

todo asusta, tu vida entera pende

de un frágil hilo y de un azar injusto.
Tu voluntad no puede demasiado.

No pierda pie. Mantén el equilibrio.

 

Todos os dias sussurro para mim mesma,

mantém o equilíbrio. Tudo te persegue,

tudo assusta, a tua vida inteira depende

de um frágil fio e de um azar injusto.

A tua vontade não pode grande coisa.

Não percas o pé. Mantém o equilíbrio.

 

 

versão: at

 

 

 

em Estoy Ausente, Pre-Textos, Valencia, 2004


 
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