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Poetas do Mundo - Espanha - Amalia Bautista (1962  
 
 de "La mujer de Lot y otros poemas"

Sherazade

 

Llevo casi mil noches fabulando,

me duele la cabeza, tengo seca

la lengua y agotados los recursos

y la imaginación. Y ni siquiera

sé si me salvaré con mis mentiras.

 

Xerazade

 

Levo já quase mil noites com fábulas

e a cabeça dói-me e tenho seca

a língua e esgotados os recursos,

a imaginação. E nem sequer

sei se me salvarei com as mentiras.

 

Las Doncellas

 

He conocido a algunas. No parecen

mortales. Ni se enfadan ni se ríen

a carcajadas. Siempre se despiertan

como si ya estuviesen maquilladas,

son rosadas, sencillas, saludables.

No llevan nunca traje de chaqueta,

sino un velo de tul hasta los pies.

Van descalzas incluso en pleno invierno

y nunca tienen ni calor ni frío.

La vida entera pasan esperando.

Nunca se desesperan. Aunque a veces,

la inmensa mayoría de las veces,

no haya dragón que quiera secuestralas

ni caballero andante que las salve.

 

As Donzelas

 

Conheci algumas. Não parecem

mortais. E nem se enfadam nem se riem

às gargalhadas. E acordam sempre

como se já estivessem maquilhadas,

rosadas, sem malícia, saudáveis.

Não usam nunca fato com casaco,

mas sim véu de tule até aos pés.

Andam descalças mesmo no Inverno,

nunca têm calor nem têm frio

passam a vida inteira à espera.

Nunca se impacientam. Mas às vezes,

a imensa maioria das vezes,

não há dragão que queira sequestrá-las

nem cavaleiro andante que as salve.

 

 

Hospital de Incurables

 

Puedes venir a verme quando quieras

ya sabes donde estoy. Mis compañeros

son muchos pero yo me siento sola.

Hay un inválido que nunca pudo

tirarse a la piscina milagrosa.

Hay un pobre leproso cuyo cuerpo

es una enorme llaga siempre abierta.

Y un apestado. Y un tuberculoso.

Y otro con fiebres. Y otro más que nunca

pudo curar con hiel sus ojos ciegos.

Y yo, más incurable que ninguno

desde que me arrancaste el corazón

y lo pusiste en venta en un mercado.

 

 

Hospital de Incuráveis

 

Podes vir ver-me sempre que quiseres,

Bem sabes onde estou. Meus companheiros

São muitos, mas eu sinto-me sozinha.

Há um inválido que nunca pôde

Atirar-se à piscina milagrosa.

Há um pobre leprosos cujo corpo

É uma enorme chaga sempre aberta.

Há um com peste. Há um tuberculoso.

E um com febres. Mais outro que nunca

Pôde curar com fel seus olhos cegos.

E eu, mais incurável que nenhum

Desde que me arrancaste o coração

E o puseste à venda num mercado.

 

 

 

Tradução: Joaquim Manuel Magalhães

 

em, Trípticos Espanhóis- 3º, Relógio D’Água, 2004

 

La Mujer de Lot

 

Nadie nos ha aclarado todavía
si la mujer de Lot fue convertida
en estatua de sal como castigo
a la curiosidad irrefrenable
y a la desobediencia solamente,
o si se dio la vuelta porque en medio
de todo aquel incendio pavoroso
ardía el corazón que más amaba.

 

 

A mulher de Lot

 

Ningém nos esclareceu ainda

se a mulher de Lot foi transformada

em estátua de sal como castigo

pela curiosidade incontrolavel

e pela desobediência, unicamente,

ou se ela se voltou porque no meio

de todo aquele incêndio pavoroso

ardia o coração que mais amava.

 

 

tradução: at

 

encontrado aqui

 

 

 

 

 


 
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