Um dia
Um dia
Um dia partirei muito cansada Com as lembranças cingidas ao meu peito E uma voz de saudade e de nortada.
(Levarei voz para gemer de espanto. Levarei mãos para dizer adeus... Olhos de espelho, e não olhos de pranto, Eu levarei. Os olhos, serão meus?)
Um dia partirei, talvez manhã. Uma canção de amor virá das dunas. De finas pernas, seguirei a margem Límpida, boa, enorme, no ribeiro De água discreta a reflectir miragem, Braços de ramos, gestos de salgueiro.
Um dia partirei, muito diferente. Enfim, aquela que jamais eu fora! E os de Cá hão-de achar que vou contente.
de Antologia Poética, Assírio & Alvim
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