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Sombras Errantes
 
 Conserve este bilhete até ao final da viagem

 

Devo dizer que sempre preferi

os versos feridos pela prosa

da vida, os versos turvos

que tornam mais transparentes

os negros palcos do tempo, a dor

de sermos filhos das estações

e de andarmos por aí, hora após

hora, entre tudo o que declina

e piora. Em suma, os versos

que gritam: Temos as noites

contadas. E também

os que replicam:

Valha-nos isso.

Rui Pires cabral

de Capitais da Solidão, Teatro de Vila Real, 2006

Enviado por at a 10/3/2007 (23:31)
Sombreados ( 2 )
 Ária

 

Para onde quer que nos voltemos na tempestade de rosas,

a noite ilumina-se de espinhos, e o trovão

da folhagem, antes tão leve nos arbustos,

segue-nos agora de perto.


Onde quer que se apague o incêndio das rosas,

a chuva inunda-nos o rio. Oh, noite tão distante!

Mas uma folha que nos encontrou é levada pelas ondas

e segue-nos até à foz.

 

 

Ingeborg Bachmann

 

 O Tempo Aprazado, Assírio & Alvim, 1992

Enviado por at a 10/10/2007 (15:35)
Sombreados ( 2 )
 Buika

 

 

 

 

 

 

 

 

"Escrevo para não odiar e canto para não ficar louca"

Buika

 

 

Concha Buika nasceu em 1972. Canta com sentimento. Tem uma voz que emociona e acalenta. No último album, "Mi niña Lola", editado em Março de 2006, podemos ouvir onze temas inspirados no flamenco, com toques de bolero, tango, blues e jazz. Excelente!

 

Enviado por at a 10/10/2007 (16:15)
Sombreados ( 0 )
 não sei que diga

PM já leu dois livros dela e não tem opinião. Eu então não sei que diga...

Enviado por at a 10/11/2007 (21:54)
Sombreados ( 0 )
 fronteira

 

Estamos de pé e dizemos: eis-me a esticar um braço para a frente e outro para trás. Então, a frente de mim termina onde termina a minha mão, e o trás de mim também termina onde termina a minha mão. Em cima termino na nuca, em baixo nos calcanhares, dos lados termino nos ombros. Eis-me todo. O que está fora de mim não sou eu.

Agora que ficámos completamente isolados, limpemos as nossas arestas para que se veja melhor onde começa o que não somos nós. Limpamos o ponto inferior - as botas, e o ponto superior - a nuca, assinalada com um chapéuzinho; pomos nos pulsos punhos brilhantes, nos ombros as dragonas. Agora vê-se de imediato onde terminamos nós e começa tudo o resto.

 

 

Daniil Harms 

 

tradução: Nina Guerra e Filipe Guerra

 

A Velha e Outras Histórias, Assírio & Alvim, 2007

 

foto: LevBulk

 

(post modificado depois do sombreado do Alexandre)

 

                                                                                 

 

                                           

 

                         

Enviado por at a 10/12/2007 (17:57)
Sombreados ( 4 )
 Alices, que lugar?

intruso com Alices em Redondo

 

Enviado por at a 10/13/2007 (18:04)
Sombreados ( 0 )
 As flores do mal

Book

uma leitura partilhada

Enviado por at a 10/14/2007 (15:42)
Sombreados ( 2 )
 cartas de amor ao contrário

 

(...)

Tinha aprendido as coisas da vida ao revés e acostumou-se a dizer umas palavras por outras; a dizer as coisas não as dizendo e até a dizer o contrário do que desejava. Por isso as cartas de amor que enviava à namorada eram, na realidade, cartas de desamor cuja ternura oculta ela não podia adivinhar. A namorada depressa se cansou de tantas mensagem indecifráveis e partiu de braço dado com outro noivo, mais vulgar, com uma voz clara e penetrante.

Dizem que isto lhe provocou um problema mortal de ternura. Uma vez por ano tentava suicidar-se, mas fracassava sempre devido ao mau hábito de fazer as coisas ao contrário.

 

 

Alberto Tugues

 

tradução minha, com a preciosa ajuda da Marta

 

El espía del ramo marchito, emboscall, 2007

Enviado por at a 10/14/2007 (23:09)
Sombreados ( 6 )
 La espía del ramo marchito

 
Em breve em vídeo!
 
 
Enviado por at a 10/14/2007 (23:43)
Sombreados ( 3 )
 Ofélia

Cantando vai Ofélia pelo rio,
A caminho do nada - e não tem frio!

De flores coberta, ei-la morta de amor,
Olhos espelhando do céu o livor.

- Ofélia, ó triste, quem te segue empós?
- Um amor sobre-humano e um pai atroz…

- Cumpriste, não foi, teu dever de filha?
- E agora não sou mais do que uma ilha…

- De Hamlet a doideira acaso não temias?
- Doido por mim, fazia-me poesias…

O que mais temo, cá no outro mundo,
É o mano Laertes furibundo!

Tremo por Hamlet, meu Príncipe querido!
Temo Laertes, que é tão insofrido…

Eu não quero mais mortes, lá na Dinamarca.
Levo a minha a bordo - e não desembarca!

Assim se expressou, tristíssima, Ofélia,
Baixando a juzante, humanal camélia!

 

Alexandre O’Neill

foto (via letra corrida): Miranda Lehman

 

Enviado por at a 10/16/2007 (23:18)
Sombreados ( 1 )
 olh'ò passarinho

cj

Enviado por at a 10/17/2007 (22:05)
Sombreados ( 2 )
 as cores da carne

Susan Meiselas

 

Jane Evelyn Atwood

 

Erika Langley

 

Merry Alpern

 

Paz Errázuriz

 

Maya Goded

 

Quem for a Granada pode ver fotografias destas autoras e ainda da alemã Elisabeth B. e da espanhola Alicia Lamarca, quase impossíveis de encontrar.

 

 

Enviado por at a 10/20/2007 (10:53)
Sombreados ( 0 )
 ocultos

uma exposição de traseiros em Madrid (via  Santa)

 

Enviado por at a 10/20/2007 (20:29)
Sombreados ( 3 )
 da calma


On est assis sur la chaise et on écrit.
On est de plus en plus fatigué, de plus en plus fatigué.
On se couche à l’heure.
On mange à l’heure.
On a de l’argent,
Cést un cadeau du bon Dieu.
La vie est magnifique !
Le coeur bat de plus en plus fort, de plus en plus fort.
La mer est de plus en plus calme, de plus en plus calme,
Jusqu’au fond.

 

 

 

 

 

Walter Benjamin


Poème triste,
lido aqui

fotografia: Kiasma

 

Enviado por at a 10/23/2007 (00:09)
Sombreados ( 0 )
 ligações vitais

obrigada DrGica

Enviado por at a 10/23/2007 (23:32)
Sombreados ( 2 )
 
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