Não tinha ideias, mas, sim, sensações intensíssimas que transformava em ideias. Sonhava com os olhos e os sentidos vigilantes: a sua mente, extremamente móvel, apanhava todos os acontecimentos, as ideias e as tonalidades de uma época que, todos os dias, alterava os conceitos, as palavras, as aparências.
Entre os escritores do seu tempo, Roth compreendeu melhor do que qualquer outro que a Primeira Guerra Mundial tinha assinalado o fim da Europa: um trauma que continuou a inspirá-lo durante toda a vida. Sem piedade, com frieza e uma extrena lucidez, viajava pelos velhos países do Ocidente e pela nova União Soviética. Compreendeu como era vão o culto do progresso; como era profundo o desejo e o temor da morte que tinham atingido as jovens gerações europeias e as levavam a abraçar o nazismo; quão equívoca era a fé democrática das classes dirigentes. Nada, nem homens nem instituições, opunham resistência à pressão de um homem audaz e violento. “Tente querer um trono e encontrará um país disposto a proclamá-lo rei. Tente fazer uma revolução e encontrará um proletariado disposto a deixar-se matar. Se se der ao trabalho de provocar uma guerra, verá os povos a marcharem uns contra os outros”. Nem sequer quando Roth viajou pela União Soviética, as suas simpatias socialistas – tinha assinado os primeiros artigos com a sigla Joseph o Vermelho – lhe toldaram a mente. No país do futuro tudo era sórdido, enfadonho e medíocre: um manequim do “homem novo”, o amor reduzido a uma prática higiénica, o materialismo proclamado por todos, a rede de burocratas e de espiões que estava prestes a sufocar a Rússia.
O céu estava lindo. O tempo ameno. Um silêncio quieto. Adormeci nua e serena, embalada na placa que me sustinha. Milhares de seres vivos evoluíam em surdina. De repente, passou um urso com ar faminto. Um grupo de símios aproximou-se, dispersou e desapareceu. Uma mancha negra alastrava exalando um cheiro ameaçador. Um ruído crescente, insuportável. A temperatura a aumentar. Uma aflição doida. Uns calores. Acordei no deserto a arder. Toda molhada. Ao meu lado um pinguim gelado.
Os seres humanos são tanto produto da evolução como qualquer bolor e a revolução das últimas duas décadas no modo como os cientistas pensam agora sobre a evolução também tem imensas aplicações para a humanidade. (...) a evolução é mais sobre a reprodução dos mais aptos do que sobre a sobrevivência dos mais aptos.; todas as criaturas na Terra são o produto de uma série de batalhas históricas entre parasitas e hospedeiros, entre genes e outros genes, entre membros da mesma espécie, entre membros de um sexo em competição com membros do outro. Essas batalhas incluem as batalhas psicológicas, manipular e explorar outros membros da espécie; essas batalhas nunca são ganhas, pois o sucesso numa geração apenas assegura que os inimigos da geração seguinte são mais aptos para lutarem mais aguerridamente. A vida é uma corrida de Sísifo, correr cada vez mais depressa para uma linha da meta que é meramente o ponto de partida para a corrida seguinte.
"Somos sempre três nesta galera. Dois para fazer conversa e eu para remar.
Como é duro o pão quotidiano, duro de ganhar e duro de pagar!
Estes dois tagarelas são a minha única distracção, mas de qualquer forma é duro vê-los comer o meu pão.
Estão sempre a falar. Se não estivessem sempre a falar, dizem eles que certamente a imensidão do oceano eo barulho das tempestades me esgotaria a coragem e as forças.
Fazer avançar sozinho um barco, com um par de remos, não é nada fácil. É melhor que a água não ofereça resistência... Mas oferece-a. Oferece-a sobretudo certos dias...
Ah! Como gostaria de abandonar os meus remos.
Mas eles estão de olho em mim, sem terem mais que fazer, além de conversar, e comer-me o pão, a minha pequena ração já dez vezes diminuída."
"Durante gerações o sucesso reprodutor dos homens dependeu de subirem nas hierarquias políticas. As mulheres raramente tiveram um incentivo para procurarem um sucesso desse tipo, pois o seu sucesso reprodutor dependia de outras coisas. Por isso o pensamento evolutivo prevê que, frequentemente, as mulheres não procurarão subir as escadas da política, mas nada diz sobre o quanto serão boas a fazê-lo se o tentarem. Sugiro que não foi por acidente que as mulheres atingiram posições de topo (como primeiras-ministras em muitos países) em números desproporcionais à sua força nos lugares mais baixos.(...) As evidências sugerem que as mulheres são, em média, ligeiramente melhores do que os homens a gerirem países. A evidência apoia o pressuposto feminista de que existem certos toques femininos que elas trazem para esses empregos – intuição, avaliação de carácter, falta de adoração de si próprias – que os homens apenas podem invejar. Uma vez que a bandeira de todas as organizações, sejam empresas, instituições de caridade ou governos, é que recompensam a ambição astuciosa, em vez da capacidade (as pessoas que são as melhores a atingirem o topo não são necessariamente as melhores a desempenharem a tarefa), e já que os homens estão mais bem fornecidos dessa ambição do que as mulheres, é absolutamente correcto que a promoção deva ser enviesada a favor das mulheres. Não para rectificar o preconceito, mas para rectificar a natureza humana."
"Era mesmo impossível – e senti que desesperadamente impossível – saber-se ao certo a parte de cada um, a parte que cada um representara na parte de cada um. A vida era a coisa mais promíscua do mundo. Mas era como se uma pessoa dormisse ao mesmo tempo com muitas outras, sem nunca ficar sabendo ao certo com quais é que dormia. A única coisa possível era escolher decididamente algumas delas e fazer de conta que nem nós nem elas dormiam com mais ninguém."
"Afirma-se ter sido feita a seguinte experiência: se amarmos alguém, ou mesmo se estivermos apenas intensamente ocupados com ele, encontramos o seu retrato em quase todos os livros. Sim, ele surge como protagonista e antagonista. Nos contos, romances e novelas, aparece em metamorfoses sempre diferentes. E daqui resulta que a faculdade da fantasia é o dom de inserir no infinitamente pequeno, descobrir em cada intensidade a extensão da sua nova plenitude condensada, em suma, tomar cada imagem como se fosse um leque fechado que só ao desdobrar-se pode tomar fôlego e com a nova dimensão apresentar no seu interior os traços da pessoa amada."
Qu'on ait une huit cylindres Ou un simple tacot, Au but qu'on veut atteindre On n'arrive pas plus tôt. Qu'on passe comme une torpille Ou qu'on s'traîne comme un veau, On s'retrouve en famille Devant l'passage à niveau.
Y'a toujours un passage à niveau Qui barre la route Ça vous dégoûte On arrive ou trop tard ou trop tôt On pass' tout d'suit' ou l'on fait le poireau. La barrière est en bas ou en haut Ceux qui'ont d'la veine Passent sans peine, Les pas vernis restent le bec dans l'eau Y'a toujours un passage à niveau ! Y'a toujours un passage à niveau Qui barre la route Ça vous dégoûte On arrive ou trop tard ou trop tôt On pass' tout d'suit' ou l'on fait le poireau La barrière est en bas ou en haut Ceux qui'ont d'la veine Passent sans peine Les pas vernis restent le bec dans l'eau Y'a toujours un passage à niveau