"A prancha com os animais prestáveis gira rente ao chão. Tem a altura na qual melhor se sonha voar. A música começa e, num solavanco, a criança gira para longe da mãe. Depois, percebe como ela própria é fiel. Está sentada no trono como fiel senhor de um mundo que lhe pertence. No estrado, árvores e nativos formam alas. E eis que, num oriente, surge de novo a mãe. Da floresta virgem, surge depois um cume, como a criança o viu há milénios já, como o viu agora pela primeira vez no carrocel. O seu animal é-lhe afeiçoado: como um silencioso Aríon, cavalga sobre o seu peixe mudo, um Zeus-touro de madeira rapta-a como Europa imaculada. De há muito que o eterno retorno das coisas se fez sabedoria infantil, e a vida uma primordial embriaguez de domínio, com o estrepitoso realejo ao centro, como um tesouro da coroa. Quando gira mais devagar, o lugar começa aos solavancos e as árvores voltam a si. O carrocel torna-se um terreno inseguro. E a mãe surge, estaca multiplamente cravada, em redor da qual a criança que aterra enlaça a amarra do olhar."
Eis o melhor e o pior de mim O meu termômetro, o meu quilate Vem cara, me retrate Não é impossível Eu não sou difícil de ler Faça sua parte Eu sou daqui e não sou de Marte Vem, cara, me repara Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim Só não se perca ao entrar No meu infinito particular Em alguns instantes Sou pequenina e também gigante Vem cara, se declara O mundo é portátil Pra quem não tem nada a esconder Olha minha cara É só mistério, não tem segredo Vem cá, não tenha medo A água é potável Daqui você pode beber Só não se perca ao entrar No meu infinito particular
Portugal perdeu. Não escondo um certo desapontamento, mas tudo é relativo e o meu orgulho patriótico bastante fraco. O mundial é apenas um jogo de bola (mais ou menos insuflável) e pouco ou nada tem a ver com o mundo. A verdade é que, no fundo, no fundo, até sinto um certo alívio, já não suportava tanta bandeira e tanto folclore, mas talvez ainda aguente se alguém festejar o 3º lugar...
De Camões a Pessoa - a Viagem Iniciática(SeteCaminhos), com pinturas e textos de Ellys e poemas de MariaAzenha. O livro será apresentado na Casa Fernando Pessoa no próximo dia 17 de Julho pelas 18h30.
Os temas recorrentes de Benjamin são, caracteristicamente, processos de espacializar o mundo: por exemplo, a sua noção das ideias e das experiências como ruínas. Compreender qualquer coisa é compreender a sua topografia, saber como traçar o seu mapa. E saber como se perder nela.
Susan Sontag
Um livro obrigatório para quem gosta de blogs e de literatura. De vez em quando vou reler e postar alguns textos. Também vou tentar aprender alemão, um dia destes.
Solicita-se ao prezado público que preserve o bom estado destes jardins
"O que é que fica "resolvido"? Não ficarão para trás todas as questões da vida passada, como uma ramada que nos impede a visão? Não pensamos em cortá-la, nem sequer em desbastá-la. Passamos adiante, deixamo-la para trás e, à distância, ela é de facto mais abarcável, mas também mais indefinida, mais sombria e mergulhada em enigma.
O comentário e a tradução estão para o texto como o estilo e a mimese para a natureza: são o mesmo fenómeno sob diferentes pontos de vista. Na árvore do texto sagrado, não passam ambos de folhas eternamente rumorejantes, na árvore do texto profano são os frutos que a seu tempo cairão.
Aquele que ama não fica apenas preso aos "defeitos" da sua amada, aos seus tiques e fraquezas; fica muito mais duradoura e inexoravelmente preso a rugas do rosto, manchas do fígado, roupas coçadas e um andar torto, que a toda a beleza. Há muito que isso é sabido. E porquê? Se é verdadeira a teoria que afirma que a sensação não se aloja na cabeça, que não sentimos no cérebro uma janela, uma nuvem, uma árvore, mas sim no lugar onde a vemos, então encontrarmo-nos no exterior de nós mesmos quando olhamos para a amada. Mas aqui, estamos dolorosamente tensos e arrebatados. A sensação esvoaça como um bando de pássaros, ofuscada pelo esplendor da mulher. E assim como os pássaros buscam protecção nos esconderijos da folhagem da árvore, também as sensações se refugiam nas rugas sombrias, nos gestos deselegantes e nas manchas despercebidas do corpo amado, em cujo esconderijo se refugiam em segurança. E ninguém que passe adivinhará que, precisamente ali, no que é imperfeito e criticável, se aninha a emoção do adorador, rápida como um raio."
Grande concerto!!. Carla Bley levíssima. Steve Swallow um rapazito. Todos os músicos primorosos. Divertidos. Os solos inspirados de Andy Sheppard,Lee Konitz, Steve Swallow e Gary Valente, absolutamete inesquecíveis. Acabou com “Tijuana Traffic” . Saiu toda a gente bem disposta.