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Sombras Errantes
 
 três

A Natureza do Mal fez três anos (há dois dias). PARABÉNS!!!!!

 

foto: Irving  Penn

"Three Asaro Mud Men, New Guinea", 1970

Enviado por at a 01-07-2006 (01:28)
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 vê-me a arder

para o Alessandro

 

Se te dissesse que

Eu também vou

Será que olharias

Pra trás, pra mim

Pra onde não estou

Já não

Olhaste e perdeste...

O jogo ainda nem começou!

 

Faz o contrário de Orfeu

Amor

Vem arder

Faz o contrário de Orfeu

Amor

Vê-me a arder

 

Marta Sales

 

foto: George Platt Lynes

 

 

Enviado por at a 01-07-2006 (20:13)
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 três notícias interessantes

a ciência tenta desvendar o lado negro do universo

universidades juntam-se contra a erosão da biodiversidade

é possível despoluir por fitorremediação

 

 

Enviado por at a 02-07-2006 (15:17)
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 On photography

 

As fotografias incitam, confirmam, selam lendas. Vistas através das suas imagens, as pessoas tornam-se ícones de si mesmas.

 

Susan Sontag

 On photography: a tribute to Susan Sontag

no Metropolitan, em N.Y. até 04/09/06

foto:  Peter Hujar (1975)


Enviado por at a 03-07-2006 (21:30)
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 Criança num carrocel

"A prancha com os animais prestáveis gira rente ao chão. Tem a altura na qual melhor se sonha voar. A música começa e, num solavanco, a criança gira para longe da mãe. Depois, percebe como ela própria é fiel. Está sentada no trono como fiel senhor de um mundo que lhe pertence. No estrado, árvores e nativos formam alas. E eis que, num oriente, surge de novo a mãe. Da floresta virgem, surge depois um cume, como a criança o viu há milénios já, como o viu agora pela primeira vez no carrocel. O seu animal é-lhe afeiçoado: como um silencioso Aríon, cavalga sobre o seu peixe mudo, um Zeus-touro de madeira rapta-a como Europa imaculada. De há muito que o eterno retorno das coisas se fez sabedoria infantil, e a vida uma primordial embriaguez de domínio, com o estrepitoso realejo ao centro, como um tesouro da coroa. Quando gira mais devagar, o lugar começa aos solavancos e as árvores voltam a si. O carrocel torna-se um terreno inseguro. E a mãe surge, estaca multiplamente cravada, em redor da qual a criança que aterra enlaça a amarra do olhar."

 

Walter Benjamin

 

de Rua de sentido único e Infância em Berlim por volta de 1900; Relógio D'Água, 1992

 

prefácio: Susan Sontag

tradução: Isabel de Almeida e Sousa ; Claudia de Miranda Rodrigues

 

foto: Kamil Vojnar

Enviado por at a 03-07-2006 (22:59)
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 Infinito Particular

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui e não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

 

Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown

Enviado por at a 05-07-2006 (23:20)
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 tudo é relativo

Berlín, capital de Alemania y sede del torneo

Portugal perdeu. Não escondo um certo desapontamento, mas tudo é relativo e o meu orgulho patriótico bastante fraco. O mundial é apenas um jogo de bola (mais ou menos insuflável) e pouco ou nada tem a ver com o mundo. A verdade é que, no fundo, no fundo, até sinto um certo alívio, já não suportava tanta bandeira e tanto folclore, mas talvez ainda aguente se alguém festejar o 3º lugar...

 

 

Enviado por at a 05-07-2006 (23:42)
Sombreados ( 2 )
 moving shadows

I can’t tell you my name:

You don’t believe I have one

 

I can’t warn you this boat is falling

You planned it that way

 

You’ve never had a face

But you know that appeals to me

 

You are old enough to be my

Skeleton: you know that also.

 

I can’t tell you I don’t want you

The sea is on your side

 

You have the earth’s nets

I have only a pair of scissors.

 

When I look for you I find

Water or moving shadows

 

There is no way I can lose you

When you are lost already.

 

 

Margaret Atwood

foto: Faye Pekas

Enviado por at a 06-07-2006 (22:40)
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 lançamento

 

De Camões a Pessoa - a Viagem Iniciática (SeteCaminhos), com pinturas e textos de Ellys e poemas de Maria Azenha. O livro será apresentado na Casa Fernando Pessoa no próximo dia 17 de Julho pelas 18h30.

 

 

 

Enviado por at a 06-07-2006 (22:56)
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 Carla Bley Big Band

 

Andy Sheppard soprano & tenor sax Wolfgang Puschnig sax & flute Roger Janotta soprano & alto sax Christophe Panzani sax Julian Arquelles sax Lew Soloff trumpet Earl Gardner trumpet Florian Esch trumpet Giampaolo Casati trumpet Gary Valente trombone Gigi  Grata trombone Giuseppe Clamosca trombone Richard Henry bass trombone Carla Bley piano Steve Swallow bass Karen Mantler organ Bill Drummond drums

 

 

amanhã às 22h, no TMG


 

Enviado por at a 07-07-2006 (16:59)
Sombreados ( 0 )
 Walter Benjamin

 

 

 

Os temas recorrentes de Benjamin são, caracteristicamente, processos de espacializar o mundo: por exemplo, a sua noção das ideias e das experiências como ruínas. Compreender qualquer coisa é compreender a sua topografia, saber como traçar o seu mapa. E saber como se perder nela.

 

 

                         Susan Sontag

 

   

                                                                               

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um livro obrigatório para quem gosta de blogs e de literatura. De vez em quando vou reler e postar alguns textos. Também vou tentar aprender alemão, um dia destes.

 

 

 

Enviado por at a 08-07-2006 (00:09)
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 Solicita-se ao prezado público que preserve o bom estado destes jardins

 

"O que é que fica "resolvido"? Não ficarão para trás todas as questões da vida passada, como uma ramada que nos impede a visão? Não pensamos em cortá-la, nem sequer em desbastá-la. Passamos adiante, deixamo-la para trás e, à distância, ela é de facto mais abarcável, mas também mais indefinida, mais sombria e mergulhada em enigma.

O comentário e a tradução estão para o texto como o estilo e a mimese para a natureza: são o mesmo fenómeno sob diferentes pontos de vista. Na árvore do texto sagrado, não passam ambos de folhas eternamente rumorejantes, na árvore do texto profano são os frutos que a seu tempo cairão.

Aquele que ama não fica apenas preso aos "defeitos" da sua amada, aos seus tiques e fraquezas; fica muito mais duradoura e inexoravelmente preso a rugas do rosto, manchas do fígado, roupas coçadas e um andar torto, que a toda a beleza. Há muito que isso é sabido. E porquê? Se é verdadeira a teoria que afirma que a sensação não se aloja na cabeça, que não sentimos no cérebro uma janela, uma nuvem, uma árvore, mas sim no lugar onde a vemos, então encontrarmo-nos no exterior de nós mesmos quando olhamos para a amada. Mas aqui, estamos dolorosamente tensos e arrebatados. A sensação esvoaça como um bando de pássaros, ofuscada pelo esplendor da mulher. E assim como os pássaros buscam protecção nos esconderijos da folhagem da árvore, também as sensações se refugiam nas rugas sombrias, nos gestos deselegantes e nas manchas despercebidas do corpo amado, em cujo esconderijo se refugiam em segurança. E ninguém que passe adivinhará que, precisamente ali, no que é imperfeito e criticável, se aninha a emoção do adorador, rápida como um raio."

Walter Benjamin

de Rua de Sentido Único e Infância em Berlim por volta de 1900; Relógio D'Água, 1992

foto: Cristina Marti

 

 

 

 

 

 

 

Enviado por at a 08-07-2006 (01:19)
Sombreados ( 1 )
 Carla Bley Big Band

JAZZ PHOTO

Grande concerto!!. Carla Bley levíssima. Steve Swallow um rapazito. Todos os músicos primorosos. Divertidos. Os solos inspirados de Andy Sheppard, Lee Konitz, Steve Swallow e Gary Valente, absolutamete inesquecíveis. Acabou com “Tijuana Traffic” . Saiu toda a gente bem disposta.

 

 

Enviado por at a 09-07-2006 (13:47)
Sombreados ( 0 )
 mergulho

 

Aurora após aurora, as gaivotas, de asas enregeladas

Pelo ondulante poiso, mergulham e rodopiam,

Derramando brancos anéis de tumulto, exibindo a sua liberdade

Nas alturas, sobre as águas agrilhoadas da baía.

 

(...)

 

 

Hart Crane

 

tradução: João de Mancelos

 

foto: David Warldorf

 

Enviado por at a 10-07-2006 (01:33)
Sombreados ( 3 )
 escrever na prisão

 

 

 

Aun si el dolor de la herida se acrecienta

Habrá un remedio para tratarla.

Aun si los días en prisión se alargan

Habrá un día para dejarla.

 

 

Daddiq Turkestani

 

 

 

Poucos são os poemas, escritos por pessoas presas em Guantanamo, que escapam à censura norte-americana. Alguns podem ser lidos aqui.

 

 

Enviado por at a 11-07-2006 (01:52)
Sombreados ( 0 )
 
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