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Sombras Errantes
 
 Maio maduro Maio

Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul

Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar

Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar

Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu

 

Zeca Afonso

Enviado por a 01-05-2006 (00:10)
Sombreados ( 1 )
 palavras, palavras, palavras!

"¿Qué es el amor? Con esa frase concluí mi carta de ayer, y con ella he comenzado la de hoy. Nada me sería más fácil que resolver, con el apoyo de una autoridad esta cuestión que yo mismo me propuse al decirte que es la fuente del sentimiento. Llenos están los libros de definiciones sobre este punto. Las hay en griego y en árabe, en chino y en latín, en copto y en ruso... ¿qué sé yo?, en todas las lenguas, muertas o vivas, sabias o ignorantes, que se conocen. Yo he leído algunas y me he hecho traducir otras. Después de conocerlas casi todas, he puesto la mano sobre mi corazón, he consultado mis sentimientos y no he podido menos de repetir con Hamlet: ¡Palabras, palabras, palabras!"

Gustavo Adolfo Bécquer

 de cartas literarias a una mujer

Enviado por at a 02-05-2006 (00:21)
Sombreados ( 0 )
 glorieta del poeta

As três figuras femininas representam o amor sonhado, o amor pleno e o amor perdido. Uma homenagem ao poeta Gustavo Adolfo Bécquer no parque de María Luisa em Sevilha.

Enviado por at a 02-05-2006 (00:29)
Sombreados ( 0 )
 Amor

Yo tenía veinte años y el Puente era una ciudad de barro y de camiones, de mujeres adustas y de niños crueles.

Pero en ese mundo también estaba ella, como una luz del sueño y de la duda. Por eso, cuando la conocí, la ciudad se volvió otra. Se adornó con flores imaginadas; flores que yo sentía, sin necessidad de verlas. Y también fue por entonces cuando más brilló el pavés de las calles. Cuando, en cada casa, vivían personas buenas, dispuestas a ayudarme, aunque no sé en qué cosa, porque yo no necesitaba nada.

 

 

César Cavela

Cuentos de amor y del Norte

 

Enviado por at a 03-05-2006 (23:08)
Sombreados ( 0 )
 um dia cinzento

em Granada

Enviado por at a 04-05-2006 (20:59)
Sombreados ( 2 )
 um dia de sol

em Granada

(vale a pena ver mais fotos do Eduardo)

 

Enviado por at a 07-05-2006 (00:03)
Sombreados ( 0 )
 no poente

os juncos incendiados do poente

navegam o sonho

onde o teu nome pernoita.

 

 

João de Mancelos

"Com Lao-Tsé no poente", Línguas de fogo, Minerva, 2001

 

foto: Emil Enchev

 

 

 

Enviado por at a 07-05-2006 (19:10)
Sombreados ( 2 )
 Memórias

 

Guardo memórias

Coloco as mais queridas

No fundo mais fundo

No fundo esquecidas

 

O tempo que levo

Depois à  procura

É só o que importa

A busca é que dura

 

 

foto: Rui Pedro Bordalo

 

(fotografia publicada na revista Aguas Furtadas, nº3, Abril 2001)

 

Enviado por at a 09-05-2006 (01:19)
Sombreados ( 2 )
 Reliable Souvenirs

Anita Jensen

 (5 prints from the serie Reliable Souvenirs, 1997)

 

Enviado por at a 09-05-2006 (22:06)
Sombreados ( 0 )
 seeds

seeds

Andam aí pelo ar umas coisinhas mais ou menos assim, vindas vá-se lá saber de onde que invadem tudo. Inundam qualquer buraco. As pessoas sensíveis ficam muito incomodadas mas parece que o mal é de pouca dura.

 

 

Enviado por at a 10-05-2006 (01:32)
Sombreados ( 0 )
 um sonho

 

Soñé que Arquíloco atravesaba un desierto de huesos humanos. Se daba ánimos a sí mismo: “Vamos, Arquíloco, no desfallezcas, adelante, adelante.”

 

 

Roberto Bolaño

 

de Tres, El Acantilado, Barcelona, 2000

 

 

 

Enviado por at a 10-05-2006 (17:59)
Sombreados ( 0 )
 saudade

Ai quantas vezes,
ai quantas, quantas
no turvo mar,
o mar penteado
pelas rajadas
como a desordem
da cabeleira
de uma mulher,
eu suspirei,
morto em saudade,
pela doçura
de regressar.

Arquíloco de Paros

foto: Warren Bolster


Enviado por at a 10-05-2006 (19:35)
Sombreados ( 0 )
 para a Maria

apetece-me dizer: estou aqui

 

foto: Yael Davids

 

instruções: Clicar na foto, seguir os links e visitar a lebre, todos os dias

 

 

 

Enviado por at a 10-05-2006 (22:26)
Sombreados ( 3 )
 "Nieuwkoop - sluis"

Ellen Kooi

no MUSAC

 

 

Enviado por at a 11-05-2006 (23:24)
Sombreados ( 0 )
 5 poemas

Gradual, desde que o calor

 

Grande sol a entreter

Meu meditar sem ser

Neste quieto recinto...

Quanto não pude ter

Forma a alma com que sinto...

 

Se vivo é que perdi...

Se amo é que não amei...

E o grande bom sol ri...

E a sombra está aqui

Onde eu sempre estarei...

 

 

Mais triste do que o que acontece

 

Mais triste do que o que acontece

É o que nunca aconteceu.

Meu coração, quem o entristece?

Quem o faz meu?

 

Na nuvem vem o que escurece

O grande campo sob o céu.

Memórias? Tudo é o que esquece.

A vida é quanto se perdeu.

E há gente que não enlouquece!

Ai do que em mim me chamo eu!

 

 

Não digas nada!

 

Não digas nada!

Nem mesmo a verdade

Há tanta suavidade em nada se dizer

E tudo se entender -

Tudo metade

De sentir e de ver...

Não digas nada

Deixa esquecer

 

Talvez que amanhã

Em outra paisagem

Digas que foi vã

Toda essa viagem

Até onde quis

Ser quem me agrada...

Mas ali fui feliz

Não digas nada.

 

 

O Amor

 

O amor, quando se revela

Não se sabe revelar.

Sabe bem olhar p'ra ela,

Mas não lhe sabe falar.

 

Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há de dizer.

Fala: parece que mente

Cala: parece esquecer

                                  

Ah, mas se ela adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,

E se um olhar lhe bastasse

Pr'a saber que a estão a amar!

 

Mas quem sente muito, cala;

Quem quer dizer quanto sente

Fica sem alma nem fala,

Fica só, inteiramente!

 

Mas se isto puder contar-lhe

O que não lhe ouso contar,

Já não terei que falar-lhe

Porque lhe estou a falar...

 

 

Tudo & Nada

 

Na noite que me desconhece

O luar vago, transparece

Da lua ainda por haver.

Sonho. Não sei o que me esquece,

Nem sei o que prefiro ser.

 

Hora intermédia entre o que passa,

Que névoa incógnita esvoaça

Entre o que sinto e o que sou?

A brisa alheiamento abraça.

Durmo. Não sei quem é que estou.

 

Dói-me tudo por não ser nada.

Da grande noite. embainhada

Ninguém tira a conclusão.

Coração, queres?

Tudo enfada. Antes só sintas, coração.

 

 

Fernando Pessoa

 

poesias inéditas

Enviado por at a 13-05-2006 (23:44)
Sombreados ( 0 )
 
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