Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro todas as humilhações das mulheres de joelhos nos tapetes da súplica todos os vagabundos caídos ao luar onde o sol para atirar camélias todas as prostitutas esbofeteadas pelo esqueleto de repente dos espelhos todas as horas-da-morte nos casebres em que as aranhas tecem vestidos para o sopro do silêncio todas as crianças com cães batidos no crispar das bocas sujas de miséria...
Caminho sem saber dos meus passos. Para um lugar onde tudo se faz alheio. Nem noite, nem dia, nem dúvida, só a ausência. Deito-me na base da montanha sobre um solo hostil. Não sei o que aí deixo. Os olhos fogem-me para o alto. Transporto a flor do tojo e coloco-a aos teus pés, que se desenham. Ganho raízes, tenacidade, loucura. Para saber como as nossas veias se estendem e se encontram.
Pediu um presente de hospitalidade – que fosse dado testemunho. Da cólera não, nem da vingança, que eram ruidosas e apertavam o horizonte.
Testemunho do que volta e é esperado. Sem abdicações, jogado em amor ao mundo, de nada ser idêntico ou circular. Mas imperfeito, como esta estranheza que busca um muro onde ser primitiva. Ficar aí, sujeita às intempéries e aos sustos de quem passa, esquece, deforma.
No nº 17 da revista relâmpago, Manuel Portela divulga e comenta 8 traduções do poema The Tyger de William Blake. Os tradutores são: Paulo Quintela, António Herculano de Carvalho, Jorge de Sena, David Mourão Ferreira, Gastão Cruz, Augusto de Campos, Manuel Portela e Hélio Osvaldo Alves. Portela termina com a seguinte afirmação: “Infelizmente, esta multiplicação poética está a deixar de ter correspondência no mundo das espécies animais. Em Breve serão mais as traduções d’ “O Tigre” do que os próprios tigres. E isso, sim, será uma perda para o jogo infinito da significação, correlato linguístico da diversidade genética.”
Ainauguração será no dia 10 de Março (sexta-feira) pelas 21.30 h. Visitável até 6 de Abril.
Trata-se de um trabalho constituído por fotografias de pequenos fragmentos de algas do mar que, juntas com poesia, acabaram por constituir esta exposição sobre a qual estou também a preparar a publicação de um livro.
Nuno Júdice; Yao Jinming; Ana Hatherly; António Ramos Rosa; Casimiro de Brito; Paulo Teixeira; Luís Quintais; Albano Martins; Richard Burns; Ana Marques Gastão; Ban’ya Natsuishi; João Rui de Sousa; Fernando Guimarães; Fernando Echevarria; E. M. de Melo e Castro; Rosa Alice Brancoe Maria Teresa Hort, para além de textos de Tiphaigne de La Roche e António Ramos Rosa.
Aos nove anos Kariamma foi entregue pela sua família para se transformar numa devadasi, ou "servente de deus". Na puberdade, tal como a maioria das devadasis na India, foi oferecida sexualmente aos patrões de casta superior. Agora, com 30 anos, Kariamma já pariu cinco crianças, sem saber quem são os pais.
Impossibilitadas de se casarem, muitas devadasis, a maioria delas Intocáveis, são escorraçadas para fora dos agregados urbanos. Comentando a hipocrisia do sistema de castas, uma activista que trabalha com as devadasis no estado do sul de Karnataka , afirmou: "estas mulheres são intocáveis durante o dia, mas são por demais tocadas à noite."
As crianças procuram uma brisa de ar e de liberdade num beco estreito. Vivem num apartamento de uma só divisão integrado num bairro de habitação para Intocáveis em Bangalore, no sul da Índia.
A busca de emprego e a perspectiva de sofrer menos humilhações públicas nas mãos das castas superiores, atraem muitos Intocáveis para as cidades. Mas, mesmo que consigam misturar-se anonimamente com as castas mais altas nas ruas de cidade, não conseguem ainda evitar o alojamento segregado.