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Sombras Errantes
 
 Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro

Vê-te ao espelho, Portugal

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
todas as humilhações das mulheres de joelhos nos tapetes da súplica
todos os vagabundos caídos ao luar onde o sol para atirar camélias
todas as prostitutas esbofeteadas pelo esqueleto de repente dos espelhos
todas as horas-da-morte nos casebres em que as aranhas tecem vestidos para o sopro do silêncio
todas as crianças com cães batidos no crispar das bocas sujas
de miséria...

José Gomes Ferreira

excerto de "Choro!"

Enviado por at a 01-03-2006 (01:52)
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 Notícias de França

 (...) perante problemas de natureza tão complexa como os que assolam o país nestes últimos tempos, os nossos amigos gauleses acabaram por ver a(s) ameaça(s) de epidemia(s) como uma coisa quase justa de tão natural, que afecta a todos com igualdade, fraternidade e, infelizmente, liberdade.(...)

Enviado por at a 01-03-2006 (12:20)
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 small red thing

 

O fogo cerca-me de todos os lados

O meu coração está exactamente no centro

Como não sentir o cheiro da minha carne queimada?

 

 

Ali Fudah

 

tradução: Albano Martins

 

Pequena Antologia da Poesia Palestiniana Contemporânea, Ed. ASA, 2004

 

imagem: Raquel Costa

 

Enviado por at a 01-03-2006 (21:19)
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 A água vale mais que ouro

 

O Glaciar Esperanza é um dos recursos naturais de Pascua Lama colocado em risco pela gananciosa corrida. 
 
 
Enviado por at a 02-03-2006 (16:25)
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 a flor do tojo

 

Caminho sem saber dos meus passos. Para um lugar onde tudo se faz alheio. Nem noite, nem dia, nem dúvida, só a ausência. Deito-me na base da montanha sobre um solo hostil. Não sei o que aí deixo. Os olhos fogem-me para o alto. Transporto a flor do tojo e coloco-a aos teus pés, que se desenham. Ganho raízes, tenacidade, loucura. Para saber como as nossas veias se estendem e se encontram.

 

 

Silvina Rodrigues Lopes

 

Sobretudo as vozes, Edições Vendaval, 2004

Enviado por at a 03-03-2006 (18:19)
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 a força de desaparecer

 

 

 

Pediu um presente de hospitalidade – que fosse dado testemunho. Da cólera não, nem da vingança, que eram ruidosas e apertavam o horizonte.

 

Testemunho do que volta e é esperado. Sem abdicações, jogado em amor ao mundo, de nada ser idêntico ou circular. Mas imperfeito, como esta estranheza que busca um muro onde ser primitiva. Ficar aí, sujeita às intempéries e aos sustos de quem passa, esquece, deforma.

 

E ter a força de brandamente desaparecer

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Silvina Rodrigues Lopes

 

Sobretudo as vozes, Edições Vendaval, 2004

 

 

 

 

Enviado por at a 03-03-2006 (19:34)
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 The Tyger

No nº 17 da revista relâmpago, Manuel Portela divulga e comenta 8 traduções do poema The Tyger de William Blake. Os tradutores são: Paulo Quintela, António Herculano de Carvalho, Jorge de Sena, David Mourão Ferreira, Gastão Cruz, Augusto de Campos, Manuel Portela e Hélio Osvaldo Alves. Portela termina com a seguinte afirmação: “Infelizmente, esta multiplicação poética está a deixar de ter correspondência no mundo das espécies animais. Em Breve serão mais as traduções d’ “O Tigre” do que os próprios tigres. E isso, sim, será uma perda para o jogo infinito da significação, correlato linguístico da diversidade genética.”

 

 

Tigre, tigre, claro incêndio,

Nas selvas da noite ardendo,

Que mão, que olhar traçaria

Tão tremenda simetria?

 

De que abismos, de que céus

Ferem fogo os olhos teus?

Sobre que asas ousa erguer-se?

Em que brasas reacender-se?

 

Qual o ombro de onde vibra

No teu peito cada fibra?

E quando a bater começa,

Aue mão, que pé que o impeça?

 

Que martelo, que corrente,

Fez teu cérebro incandescente?

Que bigorna, ou rude garra,

Teu mortal terror agarra?

 

Quando dos astros os dardos

Humedecem o céu  pardo,

Será que ao ver-te sorri

Quem fez o cordeiro e a ti?

 

Tigre, tigre, claro incêndio,

Nas selvas da noite ardendo,

Que mão, que olhar traçaria

Tão tremenda simetria?

 

tradução:  David Mourão Ferreira

 

na relâmpago nº 17

 

(clicar na imagem para ler o poema original)

 

 

 

Enviado por at a 04-03-2006 (13:00)
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 “Espíritos Elementares . Vinte e três simulacros”

 

 

Uma exposição de Paulo Gaspar Ferreira a não perder!

Local:  Centro Multimeios em Espinho.

 

A  inauguração será no dia 10 de Março (sexta-feira) pelas 21.30 h. Visitável até 6 de Abril.

 

Trata-se de um trabalho constituído por fotografias de pequenos fragmentos de algas do mar
que, juntas com poesia, acabaram por constituir esta exposição sobre a qual estou também a preparar
a publicação de um livro.

Paulo Gaspar Ferreira

 

Acompanham as  imagens poesias inéditas de:

Nuno Júdice; Yao Jinming; Ana Hatherly; António Ramos Rosa; Casimiro de Brito; Paulo Teixeira; Luís Quintais; Albano Martins; Richard Burns; Ana Marques Gastão; Ban’ya Natsuishi; João Rui de Sousa; Fernando Guimarães; Fernando Echevarria; E. M. de Melo e Castro; Rosa Alice Brancoe Maria Teresa Hort, para além de textos de Tiphaigne de La Roche e António Ramos Rosa.

 

Enviado por at a 05-03-2006 (12:25)
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 E é nisto que dá ...

Por vezes sentava-me justamente nas bermas da vida

E todas as coisas tremiam e havia longas sombras azuis

Um dia assisti a um crime hediondo

De mãos estendidas para as lágrimas, gritei:

 Não sei e não me vou pôr a adivinhar mas

não posso apagar a gis e o seu terrível destino.

Como ignorar uma pessoa atirada ao fundo mais fundo? “

A verdade é que

Nada disto interessa aos pássaros

Nem às rosas

Pois tudo é precário...

Chego-me para dentro da memória futura

E penso no amor

Do amor sobra-me sempre tudo

Tudo menos o teu peso no meu peito

De ti, só espero que me aceites o abandono

E o que fica é o vazio a esperar-te.

 

 

(E é nisto que dá voltar a ler blogs...)

 

Enviado por at a 05-03-2006 (12:52)
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 No choice

Aos nove anos Kariamma foi entregue pela sua família para se transformar numa devadasi, ou "servente de deus". Na puberdade, tal como a maioria das devadasis na India, foi oferecida sexualmente aos patrões de casta superior. Agora, com 30 anos, Kariamma já pariu cinco crianças, sem saber quem são os pais.

 

Impossibilitadas de se casarem, muitas devadasis, a maioria delas Intocáveis, são escorraçadas para fora dos agregados urbanos. Comentando a hipocrisia do sistema de castas, uma activista que trabalha com as devadasis no estado do sul de Karnataka , afirmou:  "estas mulheres são intocáveis durante o dia, mas são por demais tocadas à noite."

 

 

                                                                                     Fonte:Nacional Geographic

Enviado por at a 05-03-2006 (22:01)
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 Intocáveis

As crianças procuram uma brisa de ar e de liberdade num beco estreito. Vivem num apartamento de uma só divisão integrado num bairro de habitação para Intocáveis em Bangalore, no sul da Índia.

 

A busca de emprego e a perspectiva de sofrer menos humilhações públicas nas mãos das castas superiores, atraem muitos Intocáveis para as cidades. Mas, mesmo que consigam misturar-se anonimamente com as castas mais altas nas ruas de cidade, não conseguem ainda evitar o alojamento segregado.

 

 

                                                                                                                                                                  fonte: Nacional Geographic

 

Enviado por at a 05-03-2006 (22:12)
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 recolham os gatos!

Há mais gatos aqui.

 

Enviado por at a 06-03-2006 (00:42)
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 Notas de viagem

 

 

Mantive-me afastado do meu lugar durante anos.

Dediquei-me a viajar, a trocar impressões com os meus interlocutores.

Dediquei-me a dormir;

Mas as cenas vividas em épocas anteriores tornavam-se presentes

na minha memória.

Durante o baile eu pensava em coisas absurdas:

Pensava numas alfaces que vira no dia anterior

Ao passar em frente da cozinha,

Pensava num sem número de coisas fantásticas relacionadas

com a minha família;

Entretanto o barco já havia entrado no rio,

Abria passagem através de um bando de medusas.

Aquelas cenas fotográficas afectavam o meu espírito,

Obrigavam-me a fechar-me no meu camarote;

Comia forçado, revoltava-me contra mim mesmo,

Constituía um perigo permanente a bordo,

Pois a qualquer momento podia fazer um disparate.

 

 

Nicanor Parra

 

tradução: Albano Martins

 

na relâmpago nº 17

 

foto: Paula C.

 

Enviado por at a 06-03-2006 (00:53)
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 Je rêve

 

Je rêve des quatre éléments, terre, eau, feu, air.

Je rêve du Bien et du Mal.

Et la terre, l´eau, le feu, l´air, le Bien et le Mal s´entremêlent et deviennent l´Essentiel.

 

 

En faisant un effort, je peux me souvenir de la différence

entre un palais et un nid.

Un nid et un palais ont la même splendeur.

Dans la fleur l´étoile rougit déjà.

Ce mélange, cet entremêlement, cette dissolution, cette abolition des frontières, c´est le chemin qui mène à l´Essentiel.

 

 

Comme les nuages les formes du monde tournent les unes dans les autres.

Plus elles s´unissent en profondeur,

plus elles sont proches de l´essence du monde.

Lorsque le corporel disparaît,

l´Essentiel resplendit.

Je rêve du crâne volant,

de la porte du nombril et des deux oiseaux qui forment la porte,

d´une feuille qui se change en un torse,

de boules jaunes, de surfaces jaunes,

de temps jaune, vert, blanc,

de la montre essentielle sans aiguille ni cadran.

Je rêve de dedans et dehors, d´en haut et d´en bas, d´ici et là-bas, d´aujourd´hui et demain.

Et dedans, dehors, en haut, en bas, ici, là-bas, aujourd´hui, demain se mélangent, s´entremêlent, se dissolvent.

Cette abolition des frontières est le chemin qui mène à l´Essentiel.

 

Hans Arp

 

Extrait de Je suis né dans la nature

 

Enviado por at a 06-03-2006 (21:52)
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 expressões há muitas, liberdade há só uma

a não perder:  a liberdade das expressões no alcatruz

 

Enviado por at a 06-03-2006 (22:30)
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