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Sombras Errantes
 
 Os caminhos que tomamos

 

“Não é os caminhos que a gente toma, é o que está dentro de nós que faz que a gente dê no que vem a dar”

 

O. Henry

 

tradução: Fernando Pessoa

 

A Teoria e o Cão / Os Caminhos que Tomamos, Assírio & Alvim, 2000

 

foto: Marek Waskiel

 

 

Enviado por at a 03-12-2006 (20:47)
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 o sentido simples das coisas

 

Depois das folhas terem caído, regressamos
A um sentido simples das coisas.

 

 

Wallace Stevens

 

tradução: Luísa Maria Lucas Queiroz de Campos

Enviado por at a 04-12-2006 (17:49)
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 pré-visões


Enviado por at a 04-12-2006 (20:04)
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 ardem as perdas

Sinto o crepúsculo nas minhas mãos. Chega através do loureiro doente. Não quero pensar, nem ser amado, nem ser feliz, nem recordar.

Só quero sentir esta luz nas minhas mãos

e desconhecer todos os rostos e que as canções deixem de pesar no meu coração

e que os pássaros passem diante dos meus olhos e eu não note que se foram.

 


Antonio Gamoneda

 

em Ardem as Perdas, Quasi Edições


tradução: Jorge Melícias

 

(prémio Cervantes 2006)

Enviado por at a 05-12-2006 (00:20)
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 The Libertine

 

Sou John Wilmot, segundo conde de Rochester e não quero que vocês gostem de mim.

 

 

Eu gosto do Johnny Depp.

The libertine pode não ser um grande filme mas John Wilmont viveu intensamente e escrevia muito  bem.

 

 

Fosse eu (que às minhas custas já sou

Uma daquelas estranhas criaturas prodigiosas chamadas homem)

Um espírito livre para escolher por mim próprio

Que invólucro de carne, e de sangue, me agradasse usar,

Seria um cão, um macaco ou um urso.

Ou qualquer outra coisa que não fosse esse animal vaidoso

Que tanto orgulho tem em ser racional.

Os sentidos são demasiado grosseiros,

E um sexto irá inventar para contradizer os outros cinco;

E, em vez de preferir o instinto certo, irá preferir

A razão, que erra uma em cada cinquenta vezes.

 

John Wilmont

 

fragmento de A Satire Against Mankind

 

Enviado por at a 05-12-2006 (23:08)
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 Amazónia

foto:Yasunobu Kobayashi

ver mais em Forests Forever, um lugar lindíssimo!

Enviado por at a 06-12-2006 (23:34)
Sombreados ( 3 )
 a proximidade à ciência

 

Mais um estudo aparentemente interessante: caracterizar a população portuguesa face à ciência.

Conclusões: 2 em cada 3 portugueses não se interessam pela ciência. Os investigadores dividem os 37% de interessados em sete sub-tipos: : Os "indiferentes" (quase 23%), os "benevolentes" (28 % ), os "retraídos" (12% ), os "envolvidos" (2%), os "consolidados"(9%), os "iniciados"(8%) e os "autodidactas" (18%). Contas feitas, apenas 1 em cada 6,5 portugueses (mais coisa menos coisa) se interessa realmente pela ciência.

Considero-me, talvez, “benevolente” e interesso-me pela natureza e pela humanidade, pela arte e pela literatura. Será que os outros se interessam por alguma coisa?

 

 

imagem: Escher

Enviado por at a 07-12-2006 (22:17)
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 aqui mesmo ao lado

 

 

 

 

 

 

A fotografia constrói enigmas, situações equívocas.

 

 

 

Jorge Molder

 

 

Enviado por at a 09-12-2006 (16:50)
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 Lisboa, Dez. 53

 

"Há coisas a fazer, tarefas misteriosas a cumprir, o vento ameaça partir sem um beijo na boca."

 

Mário Cesariny

 

fragmento de uma carta para Cruzeiro Seixas, publicado ontem no Mil Folhas

 

 

Enviado por at a 09-12-2006 (22:14)
Sombreados ( 2 )
 Carta com poemas #5

Antes a vida


Antes a vida que estes prismas sem espessura mesmo se as cores são mais
puras
Antes ela que esta hora sempre enevoada estas terríveis carruagens de
labaredas frias
Estas pedras sorvadas
Antes este coração engatilhado
Que este charco de murmúrios
Este pano branco a cantar ao mesmo tempo na terra e no ar
E esta benção nupcial que une o meu rosto ao da total fatuidade
Antes a vida

Antes a vida com os seus lençóis de esconjuro
As suas cicatrizes de fugas
Antes a vida antes esta rosácea no meu túmulo
A vida da presença só da presença
Onde uma voz diz Estás aí outra responda Estás aí
Eu pobre de mim não estou
E mesmo quando jogarmos ao que fazemos morrer
Antes a vida


Antes a vida antes a vida Infância venerável
A faixa que parte dum faquir
Parece o escorregadouro do mundo
Não importa que o sol não passe de um destroço
Por pouco que o corpo da mulher se lhe compare
Pensas tu ao contemplar a extensão da trajectória
Ou tão-só ao fechar os olhos sobre a tormenta adorável que se chama a tua
mão
Antes a vida


Antes a vida com as suas salas de espera
mesmo sabendo não ir entrar nunca
Antes a vida que estas estâncias termais
Onde o serviço é feito por coleiras
Antes a vida adversa e longa
Quando aqui os livros se fecharem sobre estantes menos suaves
E lá longe fizer mais que melhor fizer livre sim
Antes a vida

Antes a vida como fundo de desdém
A esta cabeça já de si tão bela
Como antídoto da perfeição aspirada e temida
A vida a maquilhagem de Deus
A vida como um passaporte virgem
Ou uma vilória como Pont-à-Mousson
E como tudo foi dito já
Antes a vida

André Breton

(tradução de Ernesto Sampaio. retirado de uma antologia de poemas do Breton
da Assírio & Alvim)

Enviado por João M. a 11-12-2006 (17:24)
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 Multidão

Uma folha tomba do plátano, um frémito sacode o cimo do cipreste ...

Ada Negri

 

 

Enviado por at a 11-12-2006 (22:19)
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 Pensamentos traídos

 

Pisava a sombra que o seu corpo projectava, não fosse ela traí-lo.

 

Fernando Esteves Pinto

 

na Minguante nº3

 

 

Enviado por at a 12-12-2006 (00:05)
Sombreados ( 0 )
 um presente

 

Os quartos escuros oferecem um presente. Um livro de poemas. Um livro a ler. O que é que custa um comentário?

 

Enviado por at a 12-12-2006 (19:31)
Sombreados ( 2 )
 declínio

 

Enviado por at a 13-12-2006 (23:32)
Sombreados ( 2 )
 Ir às compras

 

Não tão viciante como a heroína, menos prejudicial do que o álcool, mas, ainda assim, problemático do ponto de vista ambiental, é o outro grande tranquilizante moderno: ir às compras. Muitas pessoas admitem prontamente que as compras não são tanto um meio de obterem os bens de que precisam, mas a sua principal actividade recreativa. Uma grande dose de compras parece ajudar a ultrapassar a depressão. Ir às compras é o substituto moderno das actividades mais tradicionais da caça e da recolecção. O centro comercial substituiu os antigos territórios de caça. Tal como recolher raízes, sementes e bagas num ambiente árido, as compras podem ocupar uma grande parte do dia. Permitem o desenvolvimento de formas especializadas de conhecimentos e competências. (Como se seleccionam os items certos a recolher? Onde e quando se encontram pechinchas genuínas?) Ir às compras pode até passar por uma actividade útil: o seu componente de lazer pode ser disfarçado ou negado de uma forma que não seria possível se se passasse o dia a jogar golfe.

 

 

 Peter Singer

 

Como havemos de viver? – a ética numa época de individualismo, Dinalivro, 2005

 

 foto: Ralph Morse

 

  

Nesta altura do ano bem me dava jeito ter treinado um bocadinho...

 

Enviado por at a 14-12-2006 (22:23)
Sombreados ( 1 )
 
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