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Sombras Errantes
 
 dans un coup

3 exposições a não perder no Grand Palais, em Paris.

Hors cadre - Photographies de Gérard Rondeau (até 9 de Janeiro)

Mélancolie - Génie et folie en Occident ( até 16 de Janeiro)

uma exposição fantástica, pelas obras de arte, pelos textos, pelo ambiente esmerado em cada sala   (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8), pela música e pelo catálogo.

Vienne 1900 (até 23 de Janeiro)

As pinturas e os desenhos de Gustav Klint e de Egon Schiele são um espanto!

 

Enviado por at a 01-01-2006 (15:44)
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 La puberté proche

La puberté proche n'a pas encore enlevé la grâce tenue de nos pléiades / Le regard de nos yeux pleins d'ombre est dirigé vers le pavé qui va tomber / La gravitation des ondulations n'existe pas encore

Max Ernst

La puberté proche...aussi: les pléiades, 1921

    no Centre Pompidou até 9 de Janeiro 

 

Enviado por at a 01-01-2006 (15:51)
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 Efeito Vénus

nunca entendi bem o meu reflexo no espelho mas não sou a única.


René Magritte. "Les Liaisons Dangereuses". 1936

 
Enviado por at a 02-01-2006 (11:15)
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 windows

 

Enviado por at a 03-01-2006 (19:22)
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 Daqui a um dia

Daqui a um dia

não mais nos veremos; daqui a uma semana

não mais nos saudaremos; daqui a um mês

esquecer-nos-emos; daqui a um ano

já não nos conheceremos; e hoje à noite,

com um grito sobre o rio sombrio,

quase levantei a tampa do túmulo; ouve, salva-me

ouve, amo-te; ouves-me, já estou muito longe.

 

 

Yorek Wilner*

 

citado por David Grossman em Ver: Amor ( o melhor livro que li em 2005)

pag. 470

 

* não consegui encontrar nenhum poeta com este nome, por isso acredito que seja de ficção, mas por outro lado, pode ser que não tenha procurado bem.

 

 

 

Enviado por at a 04-01-2006 (00:30)
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 a palavra fim

Dizer a palavra fim. Sentir a palavra fim. Vestir a palavra fim como quem morre de frio.

David Pais

 

Enviado por at a 04-01-2006 (19:04)
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 Woman with green hair, red traffic light and script

                                                                                                                        Klaus Lahnstein


Enviado por at a 04-01-2006 (19:17)
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 كتابخانه

"Nunca regressamos ao mesmo livro ou até à mesma página, porque na luz variável, nós mudamos e o livro muda, e as nossa memórias passam da claridade ao lusco-fusco e de novo à claridade, sem jamais sabermos exactamente o que aprendemos e o que esquecemos e o que de facto recordamos. O que é certo é que o acto da leitura, que resgata tantas vozes do passado, preserva-as por vezes pelo futuro adentro, onde, de formas audaciosas e imprevistas, poderemos vir a fazer uso delas."

 

Alberto Manguel

em Uma História da Leitura, Ed. Presença, 1998 (pag. 76)

 

foto: Marta Sales

 

(este post é dedicado a este)

Enviado por at a 04-01-2006 (19:35)
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 As mãos de Abraão Zacut

A semana passada fui ver esta peça, pelo Grupo de Teatro Cães à Solta, na casa do Povo de Alcains. Gostei muito. A sala, recuperada pelo grupo, acolheu à justa as 50 pessoas. A peça do Luís de Sttau Monteiro tem momentos sublimes, mas o 2º acto tem partes um bocadinho chatas. A encenação é muito boa. A representação tem altos e baixos, às vezes escusadamente gritada, mas é bastante positiva. O elenco é muito jovem e duas das actrizes são mesmo excelentes. As luzes e o som são 5 estrelas (foi pena uma das colunas ter ficado mesmo atrás de mim obliterando aqui e ali a voz dos actores). Também foi azar ter ficado na última fila, impossibilitada de seguir plenamente todas as cenas que decorrem no chão do palco. Mas a verdade é que o espectáculo nos envolve. Eu envolvi-me. Sorri. Comovi-me. Tive vontadade de gritar com eles. Aplaudi antes do tempo (nunca entendi muito bem essa coisa dos tempos, num espectáculo ao vivo onde a proximidade física é tanta, mas enfim...).

 

O grupo tem mais dois espectáculos agendados para este mês: no dia 7 no Cine-Teatro de Castelo Branco e no dia 14 na Junta de Freguesia de Escalos de Cima

No palco vão estar Bruno Esteves, Eduarda Gordino, Inês Barata, João Alberto Soares, Mara Filomeno, Maria João Canadas, Nuno Leão, Ricardo Marques, Ricardo Martins e Sérgio Lopes. A luz é de Luis Amaro, o som de Nuno Pio, a fotografia de Luís Moreira, o design gráfico é de Celso Lopes, os figurinos e cenografia do grupo Cães à Solta e a produção de Milene Pio. O espectáculo conta com os apoios da editora Alma Azul, Câmara de Castelo Branco e Casa do Povo de Alcains.

Mesmo que não possam ir divulguem. Espero que corra tudo bem. Merda. O Cine-Teatro é tão grande...

 

ler mais:

 

reconquista / gazeta do interior

 

 

Enviado por at a 04-01-2006 (21:32)
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 Irving Layton (1912-2006)

*

Song for Naomi

Who is that in the tall grasses singing
By herself, near the water?
I can not see her
But can it be her
Than whom the grasses so tall
Are taller,
My daughter,
My lovely daughter?

Who is that in the tall grasses running
Beside her, near the water?
She can not see there
Time that pursued her
In the deep grasses so fast
And faster
And caught her,
My foolish daughter.

What is the wind in the fair grass saying
Like a verse, near the water?
Saviours that over
All things have power
Make Time himself grow kind
And kinder
That sought her,
My little daughter.

Who is that at the close of the summer
Near the deep lake?  Who wrought her
Comely and slender?
Time but attends and befriends her
Than whom the grasses though tall
Are not taller,
My daughter,
My gentle daughter.

Irving Layton




 

Enviado por rui a 05-01-2006 (20:12)
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 onde quer que chegue

foto

(...) a verdade é que apenas sou feliz quando estou sentado num carro entre o lugar que acabei de deixar e o outro para onde me dirijo, apenas sou feliz no carro e durante a viagem, mas sou o mais infeliz recém-chegado que se pode imaginar, onde quer que chegue, logo que chego sou infeliz.

 

Thomas Bernhard

O Sobrinho de Wittgenstein – uma amizade, Assírio & Alvim, 2000 (pag. 112)

 

Enviado por at a 06-01-2006 (00:26)
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 dos muros #11

se fosse hoje os reis magos viam-se à rasca para entrar em Belém

 

Enviado por at a 06-01-2006 (17:34)
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 uma sombra

*

suicidou-se uma sombra

debaixo do meu pé

 

Luiza Neto Jorge

Enviado por a 06-01-2006 (18:51)
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 nenhuma palavra

Lycaena phlaeas (Linnaeus, 1761)*

Leito seco, descarnado,
onde à noite a carne
já não corre ― e eu aceito.

Restam pedras, sobras, pequenas
lascas ― borboletas transportam
fogueiras breves nas suas asas.

Rute Mota

 

Enviado por at a 06-01-2006 (21:51)
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 Sintaxe


Aonde a planície já não tiver um sentido
e os campos forem já só o horizonte
aí o teu vestido há-de ser cor esmaecido
e sobre ti a minha fronte.
Por te sobre os joelhos uma flor rubra
por te no lugar das pernas o mais amor que me houver
aí onde a flor deixa o pólen
aí o sémen mulher.
Por te sobre o sémen o gemido do teu acto
por te sobre o gemido
a planície sem sentido
aí o teu vestido há-de ser cor esmaecido
por te sobre as pernas me dilato.

 

 

António Gancho

 

Enviado por at a 07-01-2006 (13:54)
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