uma exposição fantástica, pelas obras de arte, pelos textos, pelo ambiente esmerado em cada sala (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8), pela música e pelo catálogo.
La puberté proche n'a pas encore enlevé la grâce tenue de nos pléiades / Le regard de nos yeux pleins d'ombre est dirigé vers le pavé qui va tomber / La gravitation des ondulations n'existe pas encore
"Nunca regressamos ao mesmo livro ou até à mesma página, porque na luz variável, nós mudamos e o livro muda, e as nossa memórias passam da claridade ao lusco-fusco e de novo à claridade, sem jamais sabermos exactamente o que aprendemos e o que esquecemos e o que de facto recordamos. O que é certo é que o acto da leitura, que resgata tantas vozes do passado, preserva-as por vezes pelo futuro adentro, onde, de formas audaciosas e imprevistas, poderemos vir a fazer uso delas."
A semana passada fui ver esta peça, pelo Grupo de Teatro Cães à Solta, na casa do Povo de Alcains. Gostei muito. A sala, recuperada pelo grupo, acolheu à justa as 50 pessoas. A peça do Luís de Sttau Monteiro tem momentos sublimes, mas o 2º acto tem partes um bocadinho chatas. A encenação é muito boa. A representação tem altos e baixos, às vezes escusadamente gritada, mas é bastante positiva. O elenco é muito jovem e duas das actrizes são mesmo excelentes. As luzes e o som são 5 estrelas (foi pena uma das colunas ter ficado mesmo atrás de mim obliterando aqui e ali a voz dos actores). Também foi azar ter ficado na última fila, impossibilitada de seguir plenamente todas as cenas que decorrem no chão do palco. Mas a verdade é que o espectáculo nos envolve. Eu envolvi-me. Sorri. Comovi-me. Tive vontadade de gritar com eles. Aplaudi antes do tempo (nunca entendi muito bem essa coisa dos tempos, num espectáculo ao vivo onde a proximidade física é tanta, mas enfim...).
O grupo tem mais dois espectáculos agendados para este mês: no dia 7 no Cine-Teatro de Castelo Branco e no dia 14 na Junta de Freguesia de Escalos de Cima
No palco vão estar Bruno Esteves, Eduarda Gordino, Inês Barata, João Alberto Soares, Mara Filomeno, Maria João Canadas, Nuno Leão, Ricardo Marques, Ricardo Martins e Sérgio Lopes. A luz é de Luis Amaro, o som de Nuno Pio, a fotografia de Luís Moreira, o design gráfico é de Celso Lopes, os figurinos e cenografia do grupo Cães à Solta e a produção de Milene Pio. O espectáculo conta com os apoios da editora Alma Azul, Câmara de Castelo Branco e Casa do Povo de Alcains.
Mesmo que não possam ir divulguem. Espero que corra tudo bem. Merda. O Cine-Teatro é tão grande...
Who is that in the tall grasses singing By herself, near the water? I can not see her But can it be her Than whom the grasses so tall Are taller, My daughter, My lovely daughter?
Who is that in the tall grasses running Beside her, near the water? She can not see there Time that pursued her In the deep grasses so fast And faster And caught her, My foolish daughter.
What is the wind in the fair grass saying Like a verse, near the water? Saviours that over All things have power Make Time himself grow kind And kinder That sought her, My little daughter.
Who is that at the close of the summer Near the deep lake? Who wrought her Comely and slender? Time but attends and befriends her Than whom the grasses though tall Are not taller, My daughter, My gentle daughter.
(...) a verdade é que apenas sou feliz quando estou sentado num carro entre o lugar que acabei de deixar e o outro para onde me dirijo, apenas sou feliz no carro e durante a viagem, mas sou o mais infeliz recém-chegado que se pode imaginar, onde quer que chegue, logo que chego sou infeliz.
Aonde a planície já não tiver um sentido e os campos forem já só o horizonte aí o teu vestido há-de ser cor esmaecido e sobre ti a minha fronte. Por te sobre os joelhos uma flor rubra por te no lugar das pernas o mais amor que me houver aí onde a flor deixa o pólen aí o sémen mulher. Por te sobre o sémen o gemido do teu acto por te sobre o gemido a planície sem sentido aí o teu vestido há-de ser cor esmaecido por te sobre as pernas me dilato.