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Sombras Errantes
 
 dos muros #3

CORPO DE DELITO

I

Escuta o rumor nas margens plácidas
feitas de lama, sangue e memória.
Escuta o brado retumbante
na garganta do túnel.
Por entre as grades do grito
o céu da liberdade viaja
e o sol, sem Pátria, se espalha
nesse instante, no cimento.

Aqui, Senhor, tememos
o braço forte que sobre os seios
se abate, sem remorso.
Aqui, no peito, os sussurros do coração
o muro de murros desabado
os urros na boca do corpo de entulho
e os erros da minha mão
que apalpa a própria morte.

Nesta cela que sonho nenhum
se escreve nas paredes
nesta sala de azulejos lívidos
um raio de dor sempre aceso
e vívido, à terra desce.
O céu é o sol desta luz
em cada nervo
e em cada um de nós
um límpido incêndio resplandece.

Daqui escuto os passos dos gigantes
pisando, impávidos, a paisagem.
Escuto a marcha dos colossos
por cima dos ossos
por cima dos mapas de mar e grama
escuto as botas dos passos
nas poças do corredor
cada vez mais próximos
dos calcanhares nus do meu futuro.

 

Armando Freitas Filho

Enviado por at a 01-09-2005 (19:49)
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 wave

Clifford Ross

Enviado por at a 02-09-2005 (00:25)
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 North Salem

Clifford Ross

Enviado por at a 02-09-2005 (00:28)
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 dos muros #4

há muros que guardam memórias

"Aux victimes des révolutions"

Paul Moreau-Vauthier, 1909

Enviado por at a 04-09-2005 (23:17)
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 Futuro catastrófico

img

"la configuración premonitoria de nuestra propia vulnerabilidad"

Pedro Ugarte

Enviado por at a 05-09-2005 (10:56)
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 quatro apontamentos

o corpo aberto em mãos de ver por dentro
os olhos molhados de tanto ser

se formos bons a chorar deitados ninguém vê o coração a ficar mais leve

dói-me o querer na ausência

organizo as sombras para evitar o escuro

Enviado por at a 05-09-2005 (16:35)
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 um conto por dia

um projecto da leitura partilhada para o mês de Setembro.

 

Enviado por a 06-09-2005 (00:00)
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 Museu Max Ernst

foto

Brühl acolhe o universo surrealista de Max Ernst.


 

Enviado por at a 06-09-2005 (20:58)
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 dos muros #5

In this dream that dogs me I am part
Of a silent crowd walking under a wall,
Leaving a football match, perhaps, or a pit,
All moving the same way. After a while
A second wall closes on our right,
Pressing us tighter. We are now shut in
Like pigs down a concrete passage. When I lift
My head, I see the walls have killed the sun,
And light is cold. Now a giant whitewashed D
Comes on the second wall, but much too high
For them to recognise: I await the E,
Watch it approach and pass. By now
We have ceased walking and travel
Like water through sewers, steeply, despite
The tread that goes on ringing like an anvil
Under the striding A. I crook
My arm to shield my face, for we must pass
Beneath the huge, decapitated cross,
White on the wall, the T, and I cannot halt
The tread, the beat of it, it is my own heart,
The walls of my room rise, it is still night,
I have woken again before the word was spelt.

 

"Träumerei"

Philip Larkin

Enviado por at a 07-09-2005 (17:41)
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 Artes Plásticas 2005

O jovem valenciano  Moisés Mahiques Benavent, ganhou o Prémio Engloba das Artes Plásticas 2005.

Enviado por a 08-09-2005 (17:23)
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 A Mancha Preta

Os mineiros de carvão tinham feito uma cabana que lhes servia de igreja. Pilhas de lenha formavam as paredes e cobria tudo um telheiro de ramadas.

O padre vinha dizer a missa no dia da Assunção e quase sempre estavam agachados lá dentro porque fora já chovia e a água fazia tremer as folhas do bosque.

No mês de Outubro de mil novecentos e cinquenta, uma noite um raio atingiu em cheio a igreja queimando tudo.

Agora a gente do vale vem cá acima rezar ao pé da mancha preta de cinzas e, quando levanta os olhos, vê ali à frente por um momento a cabana em pé, e o raio ainda não caiu.

 

 

                                                                     Tonino Guerra

 

 

 

 

 

 

 

 

tradução: José Colaço Barreiros

 

de O Livro das Igrejas Abandonadas, Assírio & Alvim, 1997

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Enviado por at a 08-09-2005 (18:55)
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 Camiños del Corazón

foto: José Manuel Ochoa

Em exposição até 12 de Outubro, em Almería:  "Camiños del Corazón", de José Manuel Ochoa e "La visión abisal de las costas de Cabo de Gata", de Juan Antonio Fernández Narciso.

 

Enviado por at a 09-09-2005 (12:57)
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 dos muros #6

foto

A muralha da China demorou mais de dois mil anos a ser construída. Hoje é considerada uma das grandes maravilhas do mundo.

Em 1958 a operação "muralhas da China" inicia a construção d'O Muro.

Enviado por at a 09-09-2005 (15:44)
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 ¿Qué significa para Nueva Orleans?

Los desastres suceden. Hace 250 años, el 1 de noviembre de 1755, la capital portuguesa, Lisboa, quedó arrasada por un terremoto que mató a miles de sus habitantes. Igual que el huracán que inundó Nueva Orleans, la catástrofe no sólo inspiró un temor reverencial ante el poder de la naturaleza y la compasión por las víctimas indefensas, sino también toda clase de comentarios morales; ninguno más profundo que el del filósofo francés Voltaire.(...)

 Niall Ferguson - La Vanguardia., 09-09-05

(vale a pena ler o artigo até ao fim)

Enviado por at a 09-09-2005 (16:20)
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 a importância dos diques

foto

Los diques de Nueva Orleáns pueden hacer saltar los diques de Bagdad

Luís Foix, La vanguardia 09-09-05

Enviado por at a 09-09-2005 (23:28)
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