Escuta o rumor nas margens plácidas feitas de lama, sangue e memória. Escuta o brado retumbante na garganta do túnel. Por entre as grades do grito o céu da liberdade viaja e o sol, sem Pátria, se espalha nesse instante, no cimento.
Aqui, Senhor, tememos o braço forte que sobre os seios se abate, sem remorso. Aqui, no peito, os sussurros do coração o muro de murros desabado os urros na boca do corpo de entulho e os erros da minha mão que apalpa a própria morte.
Nesta cela que sonho nenhum se escreve nas paredes nesta sala de azulejos lívidos um raio de dor sempre aceso e vívido, à terra desce. O céu é o sol desta luz em cada nervo e em cada um de nós um límpido incêndio resplandece.
Daqui escuto os passos dos gigantes pisando, impávidos, a paisagem. Escuto a marcha dos colossos por cima dos ossos por cima dos mapas de mar e grama escuto as botas dos passos nas poças do corredor cada vez mais próximos dos calcanhares nus do meu futuro.
In this dream that dogs me I am part Of a silent crowd walking under a wall, Leaving a football match, perhaps, or a pit, All moving the same way. After a while A second wall closes on our right, Pressing us tighter. We are now shut in Like pigs down a concrete passage. When I lift My head, I see the walls have killed the sun, And light is cold. Now a giant whitewashed D Comes on the second wall, but much too high For them to recognise: I await the E, Watch it approach and pass. By now We have ceased walking and travel Like water through sewers, steeply, despite The tread that goes on ringing like an anvil Under the striding A. I crook My arm to shield my face, for we must pass Beneath the huge, decapitated cross, White on the wall, the T, and I cannot halt The tread, the beat of it, it is my own heart, The walls of my room rise, it is still night, I have woken again before the word was spelt.
Os mineiros de carvão tinham feito uma cabana que lhes servia de igreja. Pilhas de lenha formavam as paredes e cobria tudo um telheiro de ramadas.
O padre vinha dizer a missa no dia da Assunção e quase sempre estavam agachados lá dentro porque fora já chovia e a água fazia tremer as folhas do bosque.
No mês de Outubro de mil novecentos e cinquenta, uma noite um raio atingiu em cheio a igreja queimando tudo.
Agora a gente do vale vem cá acima rezar ao pé da mancha preta de cinzas e, quando levanta os olhos, vê ali à frente por um momento a cabana em pé, e o raio ainda não caiu.
Los desastres suceden. Hace 250 años, el 1 de noviembre de 1755, la capital portuguesa, Lisboa, quedó arrasada por un terremoto que mató a miles de sus habitantes. Igual que el huracán que inundó Nueva Orleans, la catástrofe no sólo inspiró un temor reverencial ante el poder de la naturaleza y la compasión por las víctimas indefensas, sino también toda clase de comentarios morales; ninguno más profundo que el del filósofo francés Voltaire.(...)