Não há nada melhor
Não há nada melhor do que percorrer uma estrada com vários caminhos.
Enviado por at a 01-08-2005 (16:07)
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Citação
A poesia não existe para ornamentar, consolar ou sequer servir de contraponto às dificuldades do trabalho. Ela só existe se se dissolver no ar. Se se oferecer à respiração.
Silvina Rodrigues Lopes
“ A especialização em literatura (e outras artes…)”
em Telhados de Vidro, nº 4. Maio.2005
Enviado por at a 01-08-2005 (23:36)
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La cifra

entre millares de grillos que gritan al unísono
hay uno que te canta
entre las nubes de libélulas
batiendo sus élitros zumbantes
hay una que algo te susurra
entre el revuelto de las mariposas
hay una que tremola en tu busca
en sus alas se cifra tu signo
también están tu cuervo tu rata tu murciélago
te rondan
te están destinados
y no los distingues
Saúl Yurkievich
imagem daqui
Enviado por at a 02-08-2005 (01:05)
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Tanto faz #1
Tanto faz como tanto fez.
Tanto faz fez como fez faz.
Tanto faz correr como saltar.
Tanto faz dar na cabeça como na cabeça dar.
Tanto faz dar-lhe na cabeça como na cabeça lhe dar.
Tanto faz já como agora.
Tanto faz pelado como sem cabelo.
Tanto faz seis como meia dúzia.
Tanto faz que a água corra pra cima como pra baixo.
Tanto se me dá como se me deu.
provérbios e ditos populares
Enviado por at a 02-08-2005 (22:37)
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dancing girls at glacier point

George Friske
Enviado por at a 03-08-2005 (18:21)
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Tanto faz #2
Bem que se quis Depois de tudo ainda ser feliz Mas já não há caminho prá voltar E o que é que a vida fez da nossa vida? E o que é que a gente não faz por amor?
Mas tanto faz Já me esqueci de te esquecer porque O teu desejo é o meu melhor prazer E o meu destino é querer sempre mais A minha estrada corre pro teu mar
Agora vem prá perto, vem Vem depressa, vem sem fim dentro de mim Que eu quero sentir O teu corpo pesando sobre o meu Vem meu amor, vem prá mim Me abraça devagar Me beija e me faz esquecer
Bem que se quis
Marisa Monte
Enviado por at a 03-08-2005 (20:22)
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Tanto faz #3
Um pouco mais um pouco menos de desprezo de desamparo tanto faz: há milhões de desesperados há inúmeros mortos a cada segundo há falências que surgem como espirros presos: explodimos por dentro decaímos olheiras profundas
Tanto faz: um pouco mais um pouco menos o retoque da maquiagem só ameniza até que se lave a cara o dedo no nariz sempre é flagrado e já não disfarçamos mais
Um pouco mais um pouco menos de agonia de displicência tanto faz: somos únicos em sofrimento mas milhões em motivos iguais
Tanto faz se um pouco menos se um pouco mais de culpa tanto faz se dedo em riste é aceito sem denúncia
Um pouco mais um pouco menos de agressão não importa: nessa cidade tudo cabe um pouco mais tudo descabe um pouco menos tudo entorta como se fosse endireitar e também o avesso tudo principia no começo do nefasto tudo termina no fim da redenção nessa cidade tudo engole e regurgita a cada segundo de deglutição
Um pouco mais um pouco menos de fome tanto faz: alimento não é solução em dias de Natal tanto faz se um pouco menos de sonho tanto faz se um pouco mais de supetão o rio é um só imundo em todo seu leito tanto faz se estou do lado esquerdo ou do outro não há jeito, tanto faz se mais ou menos eleições pão ou pães, é questão de opiniães*
E ainda assim mais ou menos solitários continuamos a escrever poemas mais ou menos necessários mais ou menos sentinelas mais ou menos nossos túmulos um pouco mais um pouco menos de morte tanto faz: o exato é que um pouco mais um pouco menos de poesia não vai mudar a vida de ninguém.
* Trecho do livro "Grande Sertão: Veredas"de Guimarães Rosa
"Um pouco mais, um pouco menos", poema de António Arruda
Enviado por at a 03-08-2005 (22:06)
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LisboaPhoto2005 #7
Erwin Wurm
Museu do Chiado até 18 de Setembro

One minute sculptures, 1997
Erwin Wurm é um artista austríaco cujo trabalho tem estado fundamentalmente preocupado com a expansão dos conceitos da escultura, desde o início da década de 80. Em séries como One Minute Sculpture ou Outdoor sculptures, é possível ver o artista ou outros 'performers' a simular acções/esculturas em espaços públicos e privados. O que fica são registos fotográficos que re-apresentam momentos singulares da curta duração dessas acções/esculturas. Nesta exposição, incluem-se trabalhos em fotografia, desenho, vídeo e escultura (.)

Two ways of carrying a bomb, 2002 (Instructions on how to be politically incorrect)
Ver mais:
Sueño Europeo / série "vícios" / galeria
Enviado por at a 03-08-2005 (22:29)
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sem palavras sem palavras sem palavras sem palavras sem palavras sem palavras sem palavras

imagem: Jarek Kowalczyk
Enviado por at a 05-08-2005 (17:37)
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Hiroshima e Nagasaki nunca mais!
hibakusha - é importante ouvir a voz das "pessoas afectadas por uma explosão"
Enviado por at a 06-08-2005 (08:35)
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Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas, oh, não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa em nada
Vinícius de Moraes
cantado por Ney Matogrosso
Enviado por at a 07-08-2005 (00:58)
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El extremo existencial de la nada y el vacío como condición de nuestro tiempo vivido*

Misha Gordin
Akiya Utaka, poeta sobrevivente de Hiroshima**, escreveu: Todo lo que creo / son las palabras dentro del silencio, / palabras atestadas de peligro.
Réquiem por Hiroshima y Nagasaki
Eduardo Subirats *
** penso em todas as formas de extermínio, tortura, destruição, calamidade... penso no vazio. penso no horror, na ignomínia...
Enviado por at a 07-08-2005 (13:41)
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Por qué tenemos los mismos genes que un ratón?

Porque a natureza humana não é coisa de genes, responderia o místico. Porque os nossos genes parecem os mesmos mas na verdade não são, responderia o técnico. Porque afinal todos somos ratos, escarneceria o cínico. Expostas mais solenemente e sobretudo com muito mais palavras, estas são, no fundo, as três principais reacções imediatas ao mais chocante paradoxo que a genómica moderna, nos atirou à cara: que temos apenas 25000 genes, poucos mais do que um pequeno verme e muitos menos do que uma cebola. Ainda por cima partilhamos os nossos genes com o rato. (...)
(El País, sábado 6 de agosto de 2005)
Vale a pena ler mais:
Enviado por at a 07-08-2005 (17:33)
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O ser humano...
frog
O ser humano é uma gigantesca superfície pantanosa. Se o entusiasmo se apodera dele, isso corresponde, no plano do todo, ao momento em que, algures num recanto desse pântano, uma pequena rã salta para a água verde.
Franz Kafka
de "Parábolas e Fragmentos", Assírio & Alvim, 2004
selecção, tradução e prefácio de João Barrento
Enviado por at a 08-08-2005 (00:20)
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Prâmbulo a um silêncio

foto:
Serafín R. Trashorras
Porque tem consciência da inutilidade de tantas
coisas
às vezes uma pessoa senta-se tranquilamente à sombra de
uma árvore – no verão –
e cala-se
(...)
Ángel González
Enviado por at a 09-08-2005 (22:26)
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