A morte é apenas uma consequência da nossa maneira de viver. Vivemos de pensamento em pensamento, de sensação em sensação. Os nossos pensamentos e as nossas sensações não ocorrem tranquilamente como um rio, “ocorrem-nos”, caem em nós como pedras. Se te observares bem, sentirás que a alma não é algo que vai mudando de cor em gradações progressivas, mas que os pensamentos saltam dela como algarismos saindo de um buraco negro. Neste momento tens um pensamento ou uma sensação, e no seguinte aparece outro, diferente, como que saído do nada. Se deres atenção, até podes sentir o instante entre dois pensamentos, quando tudo se torna negro. esse instante, uma vez apreendido, é para nós o mesmo que a morte.
Pois a vida resume-se a definir marcos e a saltar de um para o outro, diariamente, passando por milhares de instantes de morte. De certo modo, vivemos apenas nos pontos de repouso. È por isso que temos esse medo ridículo da morte irreversível, porque ela é, em absoluto, o lugar sem marcos, o abismo insondável em que caímos.
" I believe that Man's first real figurative experience is the recognition of his own image in the mirror: the fiction which comes closest to reality. But it is not long before the reflection begins to send back the same unknowns, the same questions, the same problems, as reality itself: unknowns and questions which Man is driven to re-propose in the form of pictures... The figurative object born of this action allows me to pursue my inquiry within the picture as within life, given that the two entities are figuratively connected. I do indeed find myself inside the picture, beyond the wall which is perforated (though not, of course, in a material sense) by the mirror. On the contrary, since I cannot enter it physically, if I am to inquire into the structure of art, I must make the picture move outwards into reality, creating the "fiction" of being myself "beyond the looking glass"."
Tomando como ponto de partida o fotográfico e suas singularidades na representação do movimento e do tempo, a exposição colectiva Estados da Imagem – instantes e intervalos, conta com a participação de 13 artistas. Entre a imagem-suspensa e a imagem-movimento, esta exposição reúne um conjunto diverso de modelos de produção e exibição de imagens de natureza técnica, procurando sugerir sinais de convergência, de inovação e de retroacção, a partir dos graus de paragem e de concentração do e no movimento pela acção da fotografia, do cinema e do vídeo(.)
Aaron Siskind é uma das figuras emblemáticas da fotografia modernista norte-americana. A partir da década de 40, e sob influência do movimento abstracto-expressionista na pintura, Siskind passou a desenvolver uma fotografia tendencialmente abstracta, assente num metódico e fortemente estruturado programa de enquadramento de detalhes da realidade física, aliando um grande rigor técnico a uma apurada expressão plástica. Nesta exposição, apresenta-se uma antologia da obra de Aaron Siskind, com maior destaque para as suas séries abstractas (.)
José luís Neto é um fotógrafo português que tem desenvolvido um percurso autoral extremamente singular. Nesta exposição, José Luís Neto apresenta um trabalho inédito: seleccionou uma série de imagens de uma colecção de fotografias sem autor identificado, realizadas entre 1898 e 1908; em seguida, refotografou um pequeno fragmento dessas imagens, que depois de ampliadas resultam em imagens que transfiguram por completo, muitas vezes até ao limiar da abstracção, a natureza icónica do que anteriormente eram figuras, vultos, detalhes (.)
Nota: Margarida Medeiros escreve sobre eles no Mil Folhas de hoje
One never describes something that happened before the labor of writing, but really what is being produced... during this labor, in its very 'present,' and results not from the conflicts between the very vague initial project and the language, but on the contrary from a result infinitely richer than the intent... Thus, no longer prove but reveal, no longer reproduce but produce, no longer express but discover.