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Sombras Errantes
 
 de "Pálida Elvira"

 XXXVl

O amor faz monossílabos; não gasta

O tempo com análises compridas;

Nem é próprio de boca amante e casta

Um chuveiro de frases estendidas;

Um volver d'olhos lânguido nos basta

A conhecer as chamas comprimidas;

Coração que discorre e faz estilo,

Tem as chaves por dentro e está tranqüilo.

 

Machado de Assis

de Falenas

Enviado por at a 01-07-2005 (18:30)
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 Prémio Altadis

Exposição dos 6 vencedores do Prémio Altadis de Artes Plásticas 2004-05 na Galeria Oliva Arauna em Madrid, até 27 de Julho.

Marie Péjus y Christophe Berdaguer - Le Superstudio

 

Outros premiados:

 

IBON ARANBERRI

FRANÇOIS CURLET

CRISTINA LUCAS

HUGUES REIP

JORDI RIBES

 


Enviado por at a 01-07-2005 (20:23)
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 da nossa maneira de viver

A morte é apenas uma consequência da nossa maneira de viver. Vivemos de pensamento em pensamento, de sensação em sensação. Os nossos pensamentos e as nossas sensações não ocorrem tranquilamente como um rio, “ocorrem-nos”, caem em nós como pedras. Se te observares bem, sentirás que a alma não é algo que vai mudando de cor em gradações progressivas, mas que os pensamentos saltam dela como algarismos saindo de um buraco negro. Neste momento tens um pensamento ou uma sensação, e no seguinte aparece outro, diferente, como que saído do nada. Se deres atenção, até podes sentir o instante entre dois pensamentos, quando tudo se torna negro. esse instante, uma vez apreendido, é para nós o mesmo que a morte.

Pois a vida resume-se a definir marcos e a saltar de um para o outro, diariamente, passando por milhares de instantes de morte. De certo modo, vivemos apenas nos pontos de repouso. È por isso que temos esse medo ridículo da morte irreversível, porque ela é, em absoluto, o lugar sem marcos, o abismo insondável em que caímos.

 

 

                                                                          Robert Musil

 

                                                 na pag. 194 de As perturbações do pupilo Törless, Dom Quixote, 2005

 

 

 

Enviado por at a 02-07-2005 (00:50)
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 O fio dos teus sonhos

 

Deve haver durante a noite algum caminho

que vai dos teus sonhos aos meus sonhos.

Um finíssimo fio feito apenas

com a sombra do ar,

                                   que se eleva

em secreta espiral desde o teu ouvido,

descobre alguma abertura na tua janela

atravessa a tua cidade por cima dos telhados

cruza montanhas,

                                   rios,

                                               vales,

chega à minha cidade remota e fria,

ao velho bairro onde vivo, procura

na minha varanda uma pequena abertura

como aquela por onde se escapou do teu quarto

e que, por fim, se aproxima de mim, se enfia

no meu ouvido, búzio sonhante.

 

Com frequência uma lasca na madeira,

um monte com a tormenta por cima,

o cinzento golpear de uma rajada

de vento,

            ou o súbito virar de uma esquina

                        estorvam,

                                   dificultam

a perfeita sintonia desse mútuo sonhar.

Quando restabelecemos o belo fluxo,

já tu ás vezes mudaste de argumento

e eu prossigo já sem te seguir:

esforço-me para completar quebra-cabeças

com três ou quatro peças que resistem,

enquanto tu continuas a enviar imagens

que eu acumulo sem saber o que ver.

-é isso o absurdo dos meus sonhos-

o pesadelo persistente,

                                   a vertigem

de querer saber mais do que posso

por não seguir o fio dos teus sonhos.

 

 

Lorenzo Oliván

 

imagem: Costa Pinheiro

 

versão: at 

Enviado por at a 03-07-2005 (22:07)
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 das portas

Algumas portas fecham-se com tal estrépito

que parece que jamais se poderão abrir de novo.

 

                                                                            Artur Lundkvist

 

                                                                    tradução: Ana Hatherly

                                                                    enviado por Amélia Pais

                                                                                                    foto

 

 

Enviado por at a 03-07-2005 (23:41)
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 como se começa

quem começa assim:

 
 
e depois assim:
 
 
 
ilumina o que eu sinto.
 
 
Enviado por at a 04-07-2005 (00:03)
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 beyond the looking glass

" I believe that Man's first real figurative experience is the recognition of his own image in the mirror: the fiction which comes closest to reality. But it is not long before the reflection begins to send back the same unknowns, the same questions, the same problems, as reality itself: unknowns and questions which Man is driven to re-propose in the form of pictures... The figurative object born of this action allows me to pursue my inquiry within the picture as within life, given that the two entities are figuratively connected. I do indeed find myself inside the picture, beyond the wall which is perforated (though not, of course, in a material sense) by the mirror. On the contrary, since I cannot enter it physically, if I am to inquire into the structure of art, I must make the picture move outwards into reality, creating the "fiction" of being myself "beyond the looking glass"."

Michelangelo Pistoletto

Girls on a Balcony

Enviado por at a 04-07-2005 (22:54)
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 o vazio em mim

De repente tudo era nada. Cresceu o vazio em mim.

foto: Ricardo Tavares

Enviado por at a 05-07-2005 (17:10)
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 LisboaPhoto2005 #4

ESTADOS DA IMAGEM – Instantes e intervalos

 

CBB

até 21 de Agosto

 

Tomando como ponto de partida o fotográfico e suas singularidades na representação do movimento e do tempo, a exposição colectiva Estados da Imagem – instantes e intervalos, conta com a participação de 13 artistas. Entre a imagem-suspensa e a imagem-movimento, esta exposição reúne um conjunto diverso de modelos de produção e exibição de imagens de natureza técnica, procurando sugerir sinais de convergência, de inovação e de retroacção, a partir dos graus de paragem e de concentração do e no movimento pela acção da fotografia, do cinema e do vídeo(.)

 

Michael Snow

 

Souffle Solaire (Cariatides du Nord) (videograma), 2003

 

 

JEFF WALL

Bloodstained Garment, 2003

 

CHANTAL AKERMAN

 

foto

 

 

DAVID CLAERBOUT

 

 

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

foto

 

 

PEDRO COSTA

 

imagem

 

 

 

SHELLY SILVER

 

imagens

 

e ainda:

 

JEAN-LOUIS BOISSIER

 

DARA BIRNBAUM

 

JAMES COLEMAN

 

MASAKI FUJIHATA

 

YERVANT GIANIKIAN / ANGELA RICCI LUCCHI

 

THIERRY KUNTZEL

 

 

nota: algumas destas imagens talvez não se encontrem expostas no CCB

 

Enviado por at a 06-07-2005 (18:17)
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 En mi lecho

En mi lecho mis entrañas gimen por ti,

por eso al contemplarte te critico;

cuando te llamé, escapaste con alborozo,

sin saber lo que hacías.

Te crees que me engañas con mentiras,

pero no permanecerá mi corazón de haberte amado,

y sus cadenas, por ti, romperé;

no volveré jamás a hablar contigo,

mis ojos por haberte contemplado arrancaré.

Enmudeceré hasta que estés preparado

y tu corazón con la flecha de la poesía horadaré.

 

Yishaq Ibn Jalfun

versão: María José Cano

de Yishaq Ibn Jalfun - Poeta cortesano cordobés
 edições El Almendro, 1988 (à venda na Livraria Espanhola, Chiado)

poema enviado por MJE

imagem: Isabella Stefanescu

 

 

 

Enviado por at a 07-07-2005 (11:25)
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 Bomb Blast July 7

 
 

The blast,
detonated
by a cast
of mad men.

The blast,
detonated
by a cast
of bad men.

The blast
detonated
by a cast
of sad men.

The blast
detonated.
For the cast,
no amen
.



Susan AlldredLugton

 
 

 

Enviado por at a 08-07-2005 (14:50)
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 em destaque

Indicações Eventuais

A  Ci da de  a  To ss ir ...

Poema para um Tchetcheno

A um blog que começa

The final cut

 

Enviado por at a 09-07-2005 (09:38)
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 LisboaPhoto2005 #5 & #6

Museu Nacional de Arte Antiga

até 31 de Julho

 

Aaron Siskind

 

 

Los Angeles 2, 1949

 

Aaron Siskind é uma das figuras emblemáticas da fotografia modernista norte-americana. A partir da década de 40, e sob influência do movimento abstracto-expressionista na pintura, Siskind passou a desenvolver uma fotografia tendencialmente abstracta, assente num metódico e fortemente estruturado programa de enquadramento de detalhes da realidade física, aliando um grande rigor técnico a uma apurada expressão plástica. Nesta exposição, apresenta-se uma antologia da obra de Aaron Siskind, com maior destaque para as suas séries abstractas (.)

 

 

José Luís Neto

 

 Anónimo, 2005

 

 

José luís Neto é um fotógrafo português que tem desenvolvido um percurso autoral extremamente singular. Nesta exposição, José Luís Neto apresenta um trabalho inédito: seleccionou uma série de imagens de uma colecção de fotografias sem autor identificado, realizadas entre 1898 e 1908; em seguida, refotografou um pequeno fragmento dessas imagens, que depois de ampliadas resultam em imagens que transfiguram por completo, muitas vezes até ao limiar da abstracção, a natureza icónica do que anteriormente eram figuras, vultos, detalhes (.)

 

Nota: Margarida Medeiros escreve sobre eles no Mil Folhas de hoje 

 

 

Enviado por at a 09-07-2005 (17:30)
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 Claude Simon (1923 - 2005)

One never describes something that happened before the labor of writing, but really what is being produced... during this labor, in its very 'present,' and results not from the conflicts between the very vague initial project and the language, but on the contrary from a result infinitely richer than the intent... Thus, no longer prove but reveal, no longer reproduce but produce, no longer express but discover.

(excerto do discurso de Claude Simon na cerimónia de entrega do prémio Nobel, em 1985)

 

 

© Nete Goldsmidt

Claude Simon era escritor, pintor, desenhador e fotógrafo. Escreveu o último livro aos 88 anos. Ler mais aqui:

nobelprize.org / biographie / Claude Simon

 

Enviado por at a 10-07-2005 (18:33)
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 Em busca da terra do nunca

Young boys should never be sent to bed. They always wake up a day older.

J. M. Barrie

 

Enviado por at a 13-07-2005 (11:13)
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