Não se detenham: façam a festa Bethânia Martinho Clementina
Estação Primeira de Mangueira Salgueiro
gente de Vila Isabel e Madureira todos façam a nossa festa enquanto eu soco este pilão
este surdo poema que não toca no rádio que o povo não cantará (mas que nasce dele) Não se prestará a análises estruturalistas Não entrará nas antologias oficiais Obsceno como o salário de um trabalhador aposentado o poema terá o destino dos que habitam o lado escuro do país - e espreitam
Neste delicioso livrinho, Oscar Wilde defende que a arte deve rejeitar a sinceridade, a fidelidade e a exactidão, e optar pela máscara e pela mentira; a arte é a realidade e a vida o espelho. Escrito sob a forma de uma conversa entre dois amigos, Cyril e Vivian, na biblioteca de uma casa de campo em Nottighamshire. No final, Vivian resume as doutrinas da nova estética:
“A Arte não exprime mais nada senão a si própria. Possui vida independente, exactamente como o pensamento, e desenvolve-se segundo coordenadas autónomas. Não tem que ser necessariamente realista na época do realismo, nem espiritual nos períodos de fé (…) Por vezes regride ao passado e entrega-se ao revivalismo de algumas formas antigas(…) Outras vezes antecipa-se em absoluto ao seu tempo, produzindo num século obras que vão levar outro século a ser entendidas e apreciadas. Em nenhuma circunstância deve reproduzir a sua época. Passar da arte de um tempo ao próprio tempo é o grande erro em que todos os historiadores incorrem.
A segunda doutrina é esta: toda a má arte advoga o regresso à Vida e à Natureza, elevando-as à categoria de ideais. A Vida e a Natureza podem por vezes ser usadas como parte dos materiais brutos da Arte, mas antes de oferecerem qualquer real utilidade nesse plano, devem ser transformadas até se converterem em convenções artísticas. No momento em que a arte abdica dos seus meios imaginativos, abdica de tudo(…) As únicas coisas belas são aquelas que não nos concernem(…)
A terceira doutrina postula que a imitação da Arte pela Vida vai muito mais longe do que a da Vida pela Arte. Resulta isto não só do instinto imitativo da vida, mas de que o objectivo consciente da Vida é encontrar expressão, oferecendo-lhe a Arte belas formas através das quais pode realizar essa energia (…)
Segue-se como corolário que a Natureza exterior também imita a Arte. Os únicos efeitos que nos pode mostrar, vimo-los sempre antes na poesia ou na pintura. É este o segredo do encanto da Natureza, e também a explicação da sua debilidade.
A derradeira revelação é que a Mentira, o acto de contar belas coisas não verdadeiras, é o propósito exclusivo da Arte. Mas julgo ter dito já o suficiente a este respeito.
E agora vamos sair para o terraço, onde “o pavão branco de leite inclina a cabeça como um fantasma” e Vénus, no céu, “banha de prata o crepúsculo”. Ao anoitecer, a Natureza toma formosos aspectos muito sugestivos e com o seu encanto, lembrando-se talvez da principal função que lhe é cometida: a de ilustrar citações de poetas. Vem! Já falámos bastante.”
(…)Paulo Nozolino expõe 83 fotografias que acumulou ao longo de três décadas de carreira. Todas a preto e branco, todas escuras, todas a abusar do grão. E, apesar de não haver nenhum vínculo espacial - como se não pertencessem a lado algum -, retratam pessoas, cidades e espaços de vários pontos do mundo, em especial, do mundo árabe. Abre-se uma excepção para as fotografias de Auschwitz, nas quais o tempo e o lugar são precisos e o ponto de partida de toda a exposição. O resultado é uma narrativa nova da sua obra, onde, pela primeira vez, são reunidos trabalhos de épocas e séries diferentes."
"O Choro é Sempre um Lugar Incerto"
Rui Nunes
"Sinto um grito dentro de mim e esse grito é abafado. Acaba por ser abafado por tudo aquilo que está à minha volta. E a consequência é talvez um choro"
Hoje na 2, poemas de José Tolentino Mendoça (do livro A Estrada Branca, Assírio & Alvim, 2005) pela voz da ALC com música de Cat Power ( do album You Are Free)
Lindo!
Atravessei contigo a minuciosa tarde deste-me a tua mão, a vida parecia difícil de estabelecer acima do muro alto
folhas tremiam ao invisível peso mais forte
Podia morrer por uma só dessas coisas que trazemos sem que possam ser ditas: astros cruzam-se numa velocidade que apavora inamovíveis glaciares por fim se deslocam e na única forma que tem de acompanhar-te o meu coração bate
"The austere beauty of Hopper's Nightawks is due to the artist understanding of the expressive possibilities of light playing upon simplified shapes. Nihthawks is an unforgettable image of an all-night diner in which a short-order cook and three customers, all of them lost in their own thoughts, have gathered(...)"