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Sombras Errantes
 
 hoje

*

choveu todo o dia por fora e por dentro

Enviado por at a 01-12-2005 (19:51)
Sombreados ( 0 )
 O gato

O meu não come ratos, não gosta. Se apanha algum, é para brincar com ele.

Quando brincou tudo, poupa-lhe a vida, e vai sonhar noutra parte, o inocente, sentado no caracol do seu rabo, a cabeça fechada como um punho.

Mas, por causa das garras, o rato morreu.

 

Jules Renard

Histoires Naturelles

 

tradução: Jorge de Sena

em poesia do século XX, edições ASA,  2003

 

Enviado por at a 01-12-2005 (20:03)
Sombreados ( 0 )
 (...)

 

Só por dentro de ti a noite escuta

o que sem voz me sai do coração

 

 

                                                   David Mourão Ferreira

 

 

 

 

 

Enviado por at a 02-12-2005 (01:14)
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 A arte da fuga

 

Max Beckmann

" En ciertas ocasiones, después de ver pinturas de Beckmann, he sentido la tentación de incorporar en mis relatos situaciones y personajes cuya simple proximidad pudiera ser considerada como un escándalo; establecer en un rapto de bravura los hilos necesarios para poner en movimiento toda clase de incidentes incompatibles hasta formar con ellos una trama. Soñar con escribir una novela ahíta de contradicciones, la mayoría sólo aparentes; crear de cuando en cuando zonas de penumbra, fisuras profundas, oquedades abismales."

Sergio Pitol

ler mais aqui e aqui

 

Enviado por at a 03-12-2005 (09:53)
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 o pacote vermelho

O meu sangue transformou-se em tinta. Era preciso impedir a todo o custo essa nojeira. Estou envenenado até aos ossos. Cantava no escuro, e agora é o canto que me mete medo. Mais ainda: estou leproso. Sabem aquelas manchas de humidade que parecem um perfil? Não sei que encanto da lepra engana o mundo e o autoriza a beijar-me. Pior para ele! As consequências não me dizem respeito. Nunca exibi senão chagas. Fala-se de graciosa fantasia: a culpa é minha. É loucura  alguém exibir-se inutilmente.

A minha desordem empilha-se até ao céu. Os que eu amei existiam pendurados do céu por um elástico. Voltasse eu a cabeça… e já lá não estavam.

De manhã, debruço-me, debruço-me, e deixo-me cair. Caio de fadiga, de dor, de sono. Sou inculto, nulo. Não sei um número, uma data, um nome de rio, uma língua, viva ou morta. Tenho zero em geografia e em história. Se não fossem uns passes de mágica, corriam comigo. Além do mais, roubei os documentos a um tal J.C., nascido em M.L., no dia…, e que morreu com dezoito anos, depois de uma brilhante carreira poética.

Esta cabeleira, este sistema nervoso, mal implantados, esta França, esta terra, não me pertencem. Dão-me agonias. Sempre os dispo à noite, em sonhos.

Pois aqui largo o pacote. Que me fechem num hospício, que me linchem. Quem puder que entenda. Eu sou uma mentira que diz sempre a verdade.

 

 

                                                                                                             Jean  Cocteau

 

                                                                                                         tradução: Jorge de Sena

                                                                                                        em poesia do século XX, edições ASA, 2003

 

 

 

 

Enviado por at a 03-12-2005 (18:19)
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 os meus pensamentos

*

 

Os meus pensamentos bifurcam-se, serpenteiam, enredam-se,

e por fim ficam imóveis, rios que não desaguam,

delta de sangue sob um sol sem crepúsculo.

E tudo há-de acabar neste chapinhar de águas mortas?

 

Octávio Paz

 

Hino entre ruínas (fragmento)

 

tradução: Jorge de Sena

poesia do século XX, edições ASA, 2003

 

Enviado por at a 03-12-2005 (18:36)
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 última versão de Pedro Páramo

 

Morte, tristeza, saudade, antigos rancores, dúvidas, medos e dor. É este o mundo de Pedro Páramo, a  excepcional novela de Juan Rulfo, apresentada pelos filhos do autor em Guadalajara.

 

 

ver mais nas sombras errantes do dia 26 de novembro

 

 

Enviado por at a 04-12-2005 (13:12)
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 I know the place

I know the place.

It is true.

Everything we do

Corrects the space

Between death and me

And you.

 

Harold Pinter

Enviado por at a 04-12-2005 (18:26)
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 O Cisne

(No género de ensaio muito espirituoso)

*

O cisne caça-se na Alemanha, pátria de Lohengrin. Serve de alvo ao colarinho postiço nos mijaróis. Nos lagos, é confundido com as flores, e as pessoas admiram então a sua forma de barco; de resto, é morto implacavelmente para obrigá-lo ao canto dito do cisne. A pintura usa de bom grado o cisne, mas acabou-se-nos a pintura. Do cisne, quando tem tempo de transformar-se em mulher antes de morrer, a carne é menos dura que no caso contrário: os caçadores estimam-na então muito mais. Sob o nome de eider, os cisnes contribuíram para o edredon. E não lhes calha mal. Chama-se homens-cisnes ou homens incisnes ou insignes aos homens que têm o pescoço tão comprido como Fénelon, chamado o Cisne de Cambrai. Etc.

 

 

Max Jacob

 

tradução: Jorge de Sena

poesia do século XX, edições ASA, 3ª ed. 2003

 

 

 

Enviado por at a 04-12-2005 (22:55)
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 To Electra

Não devo pedir-te um beijo,

Querer teu sorriso, não ouso,

Pois cederes a este desejo

Tornar-me-ia vaidoso.

 

O fim que com mais coragem

O meu anseio sonhou

É beijar aquela aragem

Que há momentos te beijou

 

 

Robert Herrick

 

versão: A. Herculano de Carvalho

oiro de vário tempo e lugar, edições ASA, 2ª ed. 2003

 

Enviado por at a 05-12-2005 (23:08)
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 a pior nódoa não cai no pano...

foto: André Bonirre

 

Enviado por at a 05-12-2005 (23:14)
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 invólucro

gosto muito das fotos do André Bonirre e dos amigos. grande pena ter perdido a exposição.

 

Enviado por at a 05-12-2005 (23:27)
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 erradicar a pobreza?

menino com fome no Kuito

Quase todas as acções no sentido de acabar com a miséria humana partem de ONG. Algum bem se tem feito, aqui e ali, mas o objectivo de erradicar a pobreza do mundo está ainda muito longe de ser atingido. As ONG trabalham na corda bamba.

 

 

Enviado por at a 05-12-2005 (23:58)
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 As formigas

ás vezes percorremos caminhos à toa. dava-nos  jeito aprender a evitar alguns trilhos.

as formigas sabem.

 

Enviado por at a 06-12-2005 (22:03)
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 Is anybody out there?

 Raquel Costa

Enviado por at a 08-12-2005 (01:14)
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