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Sombras Errantes
 
 Frida Kahlo

Thinking of DeathThinking of Death, 1943

A exposição de Frida Kahlo (1907-1954), recentemente apresentada na Tate Modern, em Londres, está agora na Fundación Caixa Galicia de Santiago de Compostela e pode ser visitada até 20-01-06.

Enviado por at a 01-11-2005 (00:07)
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 If hands could free you, heart

Se mãos te pudessem libertar, coração,

para onde voarias?

Longe, para além de todos os lugares

da terra carregados de desolação

sob este céu nublado? atravessarias

cidades, montanhas e mar,

se mãos te pudessem libertar?

 

Não serei eu quem te vai destrancar;

porque posso percorrer

todos os campos, fundos vales, fixar

toda a beleza debaixo do sol -

e mesmo assim acabar a perder:

Nunca acharei braços abertos, nem leito

onde repousar o meu peito.

 

 

Philip Larkin

poema original encontrado aqui
versão (mal amanhada) em português: at

 

 


Enviado por at a 01-11-2005 (15:34)
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 O desastre de Lisboa

Triste tableau…”. Autor desconhecido. Museu da Cidade, Lisboa

O malheureux mortels ! ô terre déplorable !
O de tous les mortels assemblage effroyable !
D'inutiles douleurs éternel entretien !
Philosophes trompés qui criez : " Tout est bien " ;
Accourez, contemplez ces ruines affreuses,
Ces débris, ces lambeaux, ces cendres malheureuses.
Ces femmes, ces enfants l'un sur l'autre entassés,
Sous ces marbres rompus ces membres dispersés :
Cent mille infortunés que la terre dévore,
Qui, sanglants, déchirés, et palpitants encore,
Enterrés sous leurs toits, terminent sans secours
Dans l'horreur des tourments leurs lamentables jours !

excerto de Poème sur le désastre de Lisbonne (1956)

Voltaire

ler mais:

national geographic / la force des choses / rua da judiaria / o pequeno blogue do grande terramoto / sobre o pequeno livro do grande terramoto / cultura e pensamento

 

 

 

Enviado por at a 01-11-2005 (17:32)
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 If hands could free you, heart #2

If hands could free you, heart,
Where would you fly?
Far, beyond every part
Of earth this running sky
Makes desolate? Would you cross
City and hill and sea,
If hands could set you free?

I would not lift the latch;
For I could run
Through fields, pit-valleys, catch
All beauty under the sun--
Still end in loss:
I should find no bent arm, no bed
To rest my head.

Philip Larkin


A 4ª versão da Sandra:

 

Se mãos te libertassem, coração,

Para onde voarias?

Longe, para além de todas as partes

Do mundo que este céu fugidio

Torna solitário? Atravessarias

Cidades e montes e mar,

Se mãos te pudessem libertar?

 

Eu não levantarei o trinco;

Porque pudesse eu fugir

Pelos campos, fundos vales, apanhar

Toda a beleza debaixo do sol –

Ainda assim perderia:

Não encontraria encosto, nem cama

Onde descansar a alma.

 

 


(post modificado no dia seguinte, depois de se constatar que a versão com rima era intragável, como se pode ler dois posts abaixo.) 

Enviado por at a 02-11-2005 (00:21)
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 um livro fantástico!

 

 

 

"Quando comecei a escrever o livro Ver: Amor, senti que queria responder a duas perguntas e creio que vieram de Bruno Schulz. Primeira: o que me podia ajudar a mim, David, a manter a minha humanidade, a minha individualidade, num lugar que oblitera a individualidade? E segunda: qual é o processo que leva uma pessoa a tornar-se colaboradora do mal? Acho que qualquer pessoa devia colocar-se estas perguntas, mesmo que não seja judeu e tenha nascido muito depois do Holocausto."

 

 

 

 



David Grossman

 

 (entrevistado por Alexandra Lucas Coelho no jornal Público, 28 de Maio de 2005)

 

 

Enviado por at a 02-11-2005 (19:14)
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 a incongruência dos nossos tempos privados

"Todos sabemos que o tempo, esse elemento indisciplinado, se mantém precariamente dentro dos seus limites graças a uma azáfama incessante, a um cuidado meticuloso, a uma contínua regulação e correcção dos seus excessos. Libertado desta vigilância, começa de imediato a fazer truques, a correr selvagem, a praticar brincadeiras irresponsáveis e a entregar-se a desgarradas loucas. A incongruência dos nossos tempos privados torna-se evidente."

Bruno Schulz

Enviado por at a 02-11-2005 (19:19)
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 apreender

Apreender
ou absolutamente nada apreender ou apreender com louca intensidade

Por falta do principal
apreender desordenadamente, exageradamente,

Atordoar-me

Tornar-me insecto para melhor apreender
patas em gancho para melhor apreender
insecto, aracnídeo, miriápode, ácaro
se for preciso, para melhor apreender.

Henri Michaux

tradução: Herberto Helder

de Doze nós numa corda, Assírio & Alvim, 1997

Foto: André Bonirre

Enviado por at a 03-11-2005 (22:05)
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 memória de espelhos

assim sou eu: eu-sem-sou e sou-sem-eu. assim pudesse eu viver: como um reflexo, na memória da poesia.

tão bonito, Mariah. fiquei emocionada. obrigada, amiga!

 

Enviado por at a 03-11-2005 (22:56)
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 desabafo

a antologia do esquecimento, relembrou Ulla Hahn. gosto muito da poesia dela. resolvi sobrevoar este refúgio onde guardei alguns poemas (não tarda nada já faz um ano). encontrei. na biografia, apenas uma referência - os universos desaparecidos -  ou seja: nada. nos poemas- triste surpresa- apenas os dois primeiros versos da primeira estrofe dum único poema. senti-me como se fosse um destes músicos

 

 

Enviado por at a 04-11-2005 (22:56)
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 Conhecimento

Conheço os erros: há muito os cometi

só eu serei culpada ou inocente

Foi minha a poça se nela o pé meti

enfiei a mim própria o meu barrete


Faça o que faça agravam-se-me os erros

de erros quase só se faz a minha vida

A essa vida estou presa pelos cabelos

não me livro desta pele comida

 

por cicatrizes agarrada a mim

rugosa e com os anos a acabar-me

Sou eu a única que tem medo de mim

sei que de mim ninguém vai libertar-me.

 

 

Ulla Hahn

 

foto: C. Voelker

 

Enviado por at a 04-11-2005 (22:58)
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 Há por aí uma espécie de gente...

Há por aí uma espécie de gente morta-viva, vulgar, que pouca consciência tem do viver excepto quando exerce alguma actividade convencional. Levem esses sujeitos para o campo, ou metam-nos num barco, e vereis como anseiam pela secretária ou pelo gabinete. Não manifestam curiosidade; não se deixam impressionar por aquilo que o acaso lhes coloca no caminho; não têm prazer em exercer gratuitamente as suas faculdades; e, a menos que a Necessidade os empurre à paulada, não mexem um dedo. Não serve de nada falar a indivíduos desta espécie; são incapazes de manter-se ociosos, a sua natureza não é suficientemente generosa; e passam em estado comatoso as horas que não dedicam à tarefa furiosa de enriquecer.

 

 

 

Robert Louis Stevenson

 

tradução: Célia Henriques

 

de Uma apologia dos ociosos, &etc, 2005 (pag. 42)

 

Enviado por at a 05-11-2005 (23:46)
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 o bem e o mal

Le bien est voulu, il est le résultat d'un acte, le mal est permanent

Antonin Artaud

 

Enviado por at a 06-11-2005 (00:11)
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 a destruição da amazónia

foto da Belém

Que raiva! Como se não bastasse a seca, a devastação prossegue...

Enviado por at a 06-11-2005 (14:14)
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 um passeio ao fim da tarde

 

Enviado por at a 06-11-2005 (20:16)
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 The subject of pain

there's a crack in everything, that's how the light gets in

Calamity Spot

Enviado por at a 07-11-2005 (00:35)
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