Prevejo que dois mil e cinco terá 365 dias, periodos de chuva e frio mas tambem sol e calor; a politica estara ao rubro mas no fim não se resolvera nada; no capitulo da saude o ano sera verdadeiramente historico: nem uma constipação, uma unha encravada, nada; o amor sera dominante e as pessoas andarao sempre com um sorriso parvo nos lábios...
E no Natal e Ano Novo receberas montes de SMS e gastaras uma montanha de tempo e dinheiro a responder.
Esta 3ª feira, a ALC na antena 2, divulgou a antologia Ao Longe os Barcos de Flores, poesia portuguesa do século XX, escolhida por Gastão Cruz, dita por José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luís Lucas, Luísa Cruz e Natália Luiza. Hoje ouvimos poemas de Camilo Pessanha, Eugénio de Andrade, Fernado Pessoa (Álvaro de Campos e Alberto Caeiro), António Ramos Rosa, Herberto Helder, Vitorino Nemésio, Fiama Hasse Pais Brandão, Sophia de Mello Breyner Andresen e Carlos de Oliveira. No próximo programa ouviremos os outros. 15 poetas com lugar reservado na sombra.
Esta semana Ana Rita Calmeiro , advogada e poeta, escreveu um artigo interessante na “Reconquista”. Chama-se “A Alma ao Diabo”. Faz uma analogia entre a Obra de Goethe “Fausto” e a política actual. DizARC: “ A consciência colectiva ocidental hodierna preza o culto da ambição e da imagem.(…). Actualmente, um político dura o mesmo tempo que dura um fósforo. Depois fica queimado e frio, na sombra, aguardando nova oportunidade para uns momentos de brilho. Tudo é imagem, tudo é campanha de outdoor, tudo é aparência. Todos se parecem com Fausto: parece que em troca de poder venderam as suas almas ao diabo (…) A ideologia política morreu. Toda a classe política se move por interesse e o mundo do negócio e da finança corrompe a maioria e bloqueia os poucos bem intencionados. As cadeiras políticas trocam-se segundo a nota da incompetência, e todos acusam os seus opositores de terem feito pior pelo país. É o pior que realça (…) Pedem-nos que votemos no menos mau.(…) Recusemos o menos mau. Portugal precisa do melhor.”
Gostei, mas onde está o melhor ? Eu cá desconfio que nem mesmo o diabo sabe o que há-de fazer com as almas deles.
desculpem lá. fui só até ali. escalei uma montanha. encontrei uma árvore com um buraco no tronco. sussurei para dentro dele o meu segredo, tapei-o bem com lama e voltei.
Ontem, do coliseu não assistimos a um concerto. Participámos num espectáculo. Um espectáculo vibrante, com excelente música, um pouco de circo, teatro burlesco, festa cigana, um ritmo alucinante. O local foi bem escolhido. Ambiente a condizer. Espaço para dançar.
Fui com 3 amigas. Dissemos "kusturitza", em coro. No final todas concordámos numa palavra para definir a actuação de Emir Kusturika & The No Smoking Orchestra: ELECTRIZANTE !
Hoje, como prometido há 2 semanas, ALC divulgou na antena 2, os outros poetas escolhidos por Gastão Cruz para a antologia Ao Longe os Barcos de Flores. Esta 3ª feira ouvimos poemas de Fernando pessoa (ortónimo e Ricardo Reis), Mário Cesariny, Alexandre O'Neill, Mário Sá Carneiro, Ruy Belo, Jorge de Sena e Luiza Neto Jorge.
uma obra magistral, uma realização perfeita. a complexidade das relações humanas filmada ao milímetro. a Liv Hullman continua linda. será Johan ( Erland Josephson )o alter-ego de Bergman? acho que ninguém com menos de 80 anos conseguiria fazer um filme assim. desaconselhável para quem estiver seriamente deprimido. como diz o próprio Bergman: "Não vejo os meus filmes com frequência. Põe-me nervoso. Fico com vontade de chorar”
Desde há quatro anos, mais coisa menos coisa, leio sempre com um lápis à mão. Gosto de reler pelos sublinhados, deixar-me guiar por eles. Os sublinhados ajudam-nos a recordar o que lemos e a reencontrar o leitor que fomos; perceber com que olhos o fizemos e o que sentimos. Sublinhar é traçar num livro um mapa contra o esquecimento.
Austerlitz de W. G. Sebald, editado em Setembro de 2004 pela Teorema, é um dos livros que mais sublinhei.
Auschwitz acabou. É importante lembrar. Todos os anos se diz "nunca mais". Não esqueçamos que o racismo, a intolerância, as violações à dignidade humana, continuam, por todo o mundo, abafados por uma indiferença que mata. A indiferença é mais gelada do que todas as vagas de frio anunciadas.