Sempre gostei que decidissem por mim. Com B. havia uma regra de jogo: nos dias pares era ele quem tomava as decisões, nos dias ímpares era eu. Quando ele partiu para a América ofereceu-me um dado para o substituir.

Um dia, por ocasião de uma “vernissage”, um homem aproximou-se de mim e apresentou-se. Usava o mesmo apelido de B. Exprimi a minha surpresa perante a coincidência que se revelava pouco comum, entre as letras do seu nome e as do nome do meu amante. A sua resposta foi galante: dois homens com nomes idênticos amavam-me. No dia seguinte, convidou-me a partilhar a sua cama. Decidi confiar a minha decisão ao dado. Por intermédio da sua prenda, B. aprovou o seu sucessor.
Sophie Calle
Des histoires vraies, Actes Sud, 2002
tradução minha
Enviado por at a 16-12-2007 (21:51)