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Sombreados  
 "Máquina de dolor"

 

O meu ser é uma máquina de dor  

e já funciona há um tempo eterno

carrego em mim um motor moderno

que ninguém pode ouvir nem supôr

Faço um ruído enorme ao acordar

e lanço todo o dia um fumo febril

como um comboio infrene num carril

oculto num longo túnel sob o mar

Humanamente cumpro a pena capital

uma locomotiva é o meu destino 

inesgotável a sua carga de carvão

Somente à noite sou um narval

num grandioso sonho submarino

onde nada feliz o meu coração.

 

Carlos Edmundo de Orey

máquina de dolor

tradução minha

imagem: Andrei Roiter

 

Enviado por at a 16-12-2007 (14:05)

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