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Sombreados  
 Ofélia

Cantando vai Ofélia pelo rio,
A caminho do nada - e não tem frio!

De flores coberta, ei-la morta de amor,
Olhos espelhando do céu o livor.

- Ofélia, ó triste, quem te segue empós?
- Um amor sobre-humano e um pai atroz…

- Cumpriste, não foi, teu dever de filha?
- E agora não sou mais do que uma ilha…

- De Hamlet a doideira acaso não temias?
- Doido por mim, fazia-me poesias…

O que mais temo, cá no outro mundo,
É o mano Laertes furibundo!

Tremo por Hamlet, meu Príncipe querido!
Temo Laertes, que é tão insofrido…

Eu não quero mais mortes, lá na Dinamarca.
Levo a minha a bordo - e não desembarca!

Assim se expressou, tristíssima, Ofélia,
Baixando a juzante, humanal camélia!

 

Alexandre O’Neill

foto (via letra corrida): Miranda Lehman

 

Enviado por at a 16-10-2007 (23:18)

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