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Sombreados  
 Conserve este bilhete até ao final da viagem

 

Devo dizer que sempre preferi

os versos feridos pela prosa

da vida, os versos turvos

que tornam mais transparentes

os negros palcos do tempo, a dor

de sermos filhos das estações

e de andarmos por aí, hora após

hora, entre tudo o que declina

e piora. Em suma, os versos

que gritam: Temos as noites

contadas. E também

os que replicam:

Valha-nos isso.

Rui Pires cabral

de Capitais da Solidão, Teatro de Vila Real, 2006

Enviado por at a 03-10-2007 (23:31)

Sombreados ( 2 )
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