
(...)goza da temível propriedade de continuar a desenvolver-se sejam quais forem as condições que se lhe deparem e a partir quer de um fragmento de folha, quer de uma folha inteira: amachucada, espicaçada, rasgada, queimada, comprimida entre as páginas de um livro fechado para todo o sempre, nunca essa escama glauca, que, no fim de contas, não sabemos se apertar de encontro ao peito, se insultar, nunca ela deixará de se apresentar em perfeito estado de conservação. Sucessivamente, e quiçá à custa de quão revoltantes esforços, tenta recompor-se mediante as reduzidas probabilidades de que dispõe. É bela e embaraçante como a subjectividade humana (...)
André Breton
O Amor Louco, Ed. Estampa, 2ª edição1987
fotografia: Albert Renger-Patzsch
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Enviado por at a 20-09-2007 (00:04)