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Sombras Errantes  
 INVITACIÓ

20 MAIG     CASA DEL LLIBRE     A LES  19.30 H

Passeig de Gràcia, 62, Barcelona

 

Enviado por at a 16-05-2008 (23:39)
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 Cançó del Bell Morir

Quero que morras de amor por mim, agora que já não morro de amor. Quero que morras de amor por mim, agora que morri e já não posso morrer de amor por ti. Como um coração que morre por outro coração, quero que morras de amor por mim agora, como antes eu morria, quando ainda tinha coração e podia sentir e  não tinha ainda morrido de amor por ti. Agora que tenho o coração morto, quero-te assim, morrendo também de amor por mim.

 

Alberto Tugues

 

El caso de una sangre derramada

Moment Angular, emboscall,2008

 

tradução minha

Enviado por at a 16-05-2008 (22:31)
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 existência

Agora já sei como amá-la, como se amam as pedras. É preciso encher bem a boca e ir, muito devagar, produzindo areia até que já nada doa.

 

Marta Sales

Enviado por at a 16-05-2008 (01:15)
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 pela noite fora

 

"Instala-se um vazio muito particular quando, numa cidade estrangeira, marcamos um número de telefone em vão. Se ninguém atende, a decepção tem o mais amplo significado, como se se tratasse de um jogo de números de vida ou de morte. Por isso, depois de meter ao bolso as moedas que o aparelho devolvia a tilintar, não me restava senão continuar a vaguear pelas ruas até ser de noite. Acontecia-me muitas vezes, provavelmente por causa de estar muito cansado, julgar ver à minha frente alguém conhecido. Estas alucinações, pois de outra coisa não se tratava, eram sem excepção com pessoas em quem já não pensava há anos, com desaparecidos, por assim dizer. Como aquela em que vi Mathild Seelos, que de certeza já não estava viva, ou o maneta Fürgut, escrivão da aldeia. Uma vez, no Gonzagagasse, julguei até reconhecer o poeta Dante, banido da sua terra pelo medo de morrer na fogueira. Foi durante muito tempo a caminhar uns passos à minha frente, um pouco mais alto do que as outras pessoas que passavam e não o viam com a conhecida boina na cabeça, mas quando apressei o passo para o apanhar virou para o Heinrichgasse e quando cheguei à esquina já não se via ninguém. Episódios deste género começaram a criar em mim uma indistinta apreensão que se manifestava por sensações de náusea e vertigem. Os contornos das imagens que procurava reter diluíam-se, os pensamentos fugiam-me antes que os captasse. Embora por vezes, quando era forçado a apoiar-me numa parede ou a refugiar-me na entrada de uma casa, temesse o princípio de uma paralisia ou doença da cabeça, não era capaz de fazer outra coisa contra aquilo a não ser caminhar pela noite fora, até estar exausto."

 

W.G. Sebald
Vertigens. Impressões, teorema, 2007

foto: Mathilde DN 

Enviado por at a 15-05-2008 (01:09)
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 Mammillaria Pilecyensis em flor

 

Enviado por at a 06-05-2008 (00:30)
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 giestas em flor

creio em giestas nos poemas
quando as manhãs se aproximam do Verão 

Sandra Costa

Enviado por at a 03-05-2008 (12:15)
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 Lembro-me

 

Lembro-me da madrugada em claro, dos dois dias sem ir às aulas, do entusiasmo, da vontade e do medo de sair à rua, da expectativa, da alegria contida. Os meus pais diziam que ainda não era desta a revolução do proletariado mas não liguei. No dia 1º de Maio fomos todos para a rua gritar: viva a liberdade!


Hoje vem-me à cabeça uma canção:

Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
.

e esta vontade de gritar: Mayday! Mayday! Mayday!

 

foto: 1º de Maio de 1974 em Lisboa

 

Enviado por at a 01-05-2008 (00:25)
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 play it again #5

 

Enviado por at a 29-04-2008 (21:37)
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 misticismo

Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o.
Sou místico, mas só com o corpo.
A minha alma é simples e não pensa.

O meu misticismo é não querer saber.
É viver e não pensar nisso.

Não sei o que é a Natureza: canto-a.
Vivo no cimo dum outeiro
Numa casa caiada e sozinha,
E essa é a minha definição.

 
foto: DrGica
Enviado por at a 22-04-2008 (22:39)
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 coisas estropiadas

 

Havia dias em que a alma lhe caía, ficava com a alma baixa, entre os pés, quase a rasar o chão. A alma descaída sob suspeita, dizia.

Nesses dias, um mau olhar, uma falta de atenção ou uma frase qualquer, um adjectivo a mais, algo inesperado, em suma,  podia estropiá-lo completamente e dar cabo dele e da sua alma, no meio da rua.

Isto vinha a acontecer desde que lhe contaram uma história, a sua própria história,  aquela que ele recordava ter vivido de outra maneira, quase feliz.

Mas agora já sabe, já lhe contaram como essa história de amor se estropiou antes do fim, ao longo dos últimos meses. Quando ambos se separaram e ele rastejou até à praia dos mutilados, ignorava completamente o que mais tarde lhe contariam com todos os detalhes: que já havia indícios de manchas entre os dedos daquele amor, muito antes de acabar mal.

Por isso agora, diz que há dias em que a alma lhe cai ao chão e lhe fica entre os pés, embaraçada nos atacadores dos sapatos.

 

Alberto Tugues

 

El caso de una sangre derramada

Moment Angular, emboscall,2008

 

tradução minha

 

foto: Debbie Fleming Caffery

 

Enviado por at a 19-04-2008 (22:54)
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 CARAVANA na estrada

"As palavras caras estão pela hora da morte. E as coisas tendem a piorar porque a hora da morte anda ligeiramente adiantada."

Rui Manuel Amaral

Caravana, Angelus Novus, 2008

 

Enviado por at a 17-04-2008 (21:02)
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 unmade bed

um homem de uma mulher pode ocupar toda a casa
sem nunca o saber. em todas as coisas que uma casa
pode ter
uma mulher pode refazer a cada dia
o seu homem
e deitá-lo
sentá-lo
aninhá-lo entre as sertãs e os pratos da loiça de viana
entre as linhas de coser e
as cortininhas de chita que o tempo
embolorece. há um homem
a dormir nesta cama
muito depois de o homem
partir.

Marta Caldeira

na criatura


foto: Imogen Cunningham

Enviado por at a 15-04-2008 (22:54)
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 Aleph

 

vêem-me à boca

duras
como pedras

soltas

entre dentes

rolam
as palavras

enrolam-se

na língua

prendem-me

a voz

não escrevo

não digo

nada

cuspo vocábulos

redondos

solto sílabas

ilegíveis

como pedras.

foto: Ann Hamilton

Enviado por at a 14-04-2008 (00:30)
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 Fantasmas nas casas novas

Há algo de assustador nos fantasmas das casas novas:
Os fantasmas das casas velhas já são maus quanto baste:
Mas os fantasmas das casas novas são terríveis.
A grande novidade destas novas e desoladas casas
Já seria bem terrível sem os fantasmas.
Mas os fantasmas também são novos.
Raparigas tristes com blusas azuis
E pessoas nos seus assados de Domingo
Sob a grande luz do dia, dentro destas casas novas
Em ruas onde os homens varrem o vidro partido.


Malcolm Lowry

As cantigas e outros poemas do álcool e do mar
Assírio & Alvim, 2008
 

tradução: José Agostinho Baptista

foto: Richard Koenig

Enviado por at a 07-04-2008 (22:59)
Sombreados ( 1 )
 otras lecturas

Se pudesse, pegava no convite e ia até Barcelona

 

Enviado por at a 07-04-2008 (21:53)
Sombreados ( 8 )
 
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